Uma primavera exactamente, contada na escala de tempo das primaveras e celebrada, ora bem, na primavera! Faz um ano que o sueco Fritjof Norrmo se decidiu a enfeitar as paisagens planetárias de folk. E como belo sueco que é, de uma forma única e tão especial, daquela forma que só os suecos sabem fazer. A intensidade suave e a beleza refinada por um desprendimento tão sério faz a inocência que habita as suas canções ser algo mais que quimeras sonhantes, que sejam manuais de vivência superior.

Em poucos meses lançou o single de estreia “Traveller’s Dream” e a atenção recebida de bloggers um pouco por todo lado depressa viu-se espelhada em reconhecimento pelo público, por concertos e pelo pó da estrada, coisa a que Fritjof estava já habituado resultado de uma vida de viagens que passam a palavras nas histórias que vivem nas suas canções. Pessoas, lugares, vivências e uma boa parte da juventude numa pequena localidade no interior da Suécia enfeitam de realidade a voz e a guitarra despida de Norrmo.

“Set Me On Fire” e “I’ll Be Alright” são os dois lados do mesmo single (o mais recente e para escuta e descoberta em baixo) e o mesmo lado da mesma história, os cigarros que se fumam à janela a sonhar numa vida e existência com significado, no amor verdadeiro que não surge além das janelas da irrealidade e o desprezo pelo lugar onde te julgas e estás preso. A Americana que deu à luz a acidez da voz de Dylan e a perdição a Shanon Hoon dos Blind Melon é a mesma que aproxima Fritjof Norrmo ao mundo único de Asaf Avidan. Tão delicado como Sufjan Stevens e Iron & Wine, mas tão áspero e pesado como Neil Young. Assim se canta sobre liberdade e solidão!

alec peterson sig