Os Ganso, um importante marco saído da Cuca Monga e de terras lisboetas, são um colectivo já relativamente conhecido pela sua neo-psicadelia orgânica e contagiante. Apresentaram recentemente o primeiro álbum de forma coesa e com umas canções bem interessantes, com ideias e refrões fantásticos e uma sonoridade menos óbvia do que o que seria expectável em que o humor é parte fulcral.

É fantástico como os Ganso nos deixam surpresos, com um sentimento misto entre fascínio e incerteza. Manchados de bem estar, começam o concerto do maus hábitos com uma jam que para além do órgão, guitarra, baixo e bateria, se fez acompanhar de risos diabólicos e apitos de caça. Esta noção de improviso acompanha bastante o concerto, mas o humor é provavelmente aquilo que reúne opiniões antagónicas. De entre as várias músicas do debut que constituíram a setlist, “Pistoleira” foi a mais aplaudida, não admira sendo a mais conhecida e até tocada em algumas estações de rádio Lusitanas. Curiosamente, é dos casos quase raros em que a música que mais toca, é efectivamente a que resulta melhor, simples o suficiente, groovy q.b..

Gonçalo é um frontman atípico. Tem uma enorme presença mas também transmite um pouco de falta de seriedade (o que achamos óptimo). A sua faceta de brincalhão, louco e imprevisível é aquilo que nos cativa na presença da banda. Para além de uma prestação vocal bastante competente, houve tempo para a história fictícia da “Macarena” e para um free style de hip hop ridiculamente engraçado que ocupou facilmente mais de cinco minutos.

Num balanço geral, o concerto dos Ganso foi tão confuso, que tornou pouco clara a construção de juízos de valor. Contudo, após uma reflexão mais intensiva lembramos que é essa ambiguidade que torna os Ganso num dos projectos neo-psicadelicos mais interessantes e refrescantes no panorama nacional da música.

As imagens de Bruna Gomes aqui:

Ganso @ Maus Hábitos