A noite no espaço da Caixa Económica Operária à Graça começa com calma entre conversas de quem está e ao mesmo tempo agitada por parte dos músicos e organização. No meu modo de ver o mundo, um à parte é necessário. Querido público, (que não faltou à chamada e comprovou a excelente noite que se seguiu): entendam de vez que chegar depois da hora marcada a um concerto a que querem assistir é uma falta de respeito. Podia aqui alongar-me sobre ser um fenómeno localizado em Lisboa, sobre os portugueses serem, regra-geral, considerados um público fantástico por inúmeras bandas nacionais e estrangeiras, etc. Mas no final, resume-se mesmo a uma palavra apenas: respeito. Ressalvando, claro, que, como no amor, tem de ser de parte a parte para criar momentos inesquecíveis.

Os Lur Lur cumprem bem a função de aquecimento sonoro. Peter Peter e Lucinda Sebastião vão-se desafiando um ao outro num despique vocal ao longo de oito temas. Praticantes de um self-centered indie-rock seguro, mostram maturidade mais que suficiente para evitar os hypes do momento. Há espaço para entreter, fazer dançar, partir cordas de guitarra, improvisar sem quebras de registo, pedir aplausos para os Girls Names, enfim. Quando se tem prazer no que se faz isso acaba por contagiar quem os vê e ouve. Foi notório esse prazer ao longo de canções como “Soul Queen”, “Magdelene”, “Dance Like Elvis” ou a já bem conhecida cover de “Lullaby” dos The Cure. Por entre temas, Peter Peter vai usando versos emprestados de Peter Murphy, The Doors, Bauhaus e até Nirvana quase como se tivessem transportado a garagem até ao palco da CEO. Fizeram desta a casa deles e os convidados agradeceram.

Feita a habitual pausa, os Girls Names tomam de assalto uma plateia bem composta e expectante. Desengane-se quem pensava ouvir temas do primeiro álbum; ao longo de entrevistas anteriores a banda tinha já deixado bem claro que o atual The New Life marcava a fronteira de um novo som e o passado já lá ia.

Assim foi! Um concerto equilibrado, meio meio, entre temas do segundo álbum e temas ainda não gravados. E não poderia existir melhor publicidade para o que aí vem! O quarteto de Belfast encantou a audiência, comprovando-se não haver diferença de entusiasmo nos temas desconhecidos para a maioria de nós. As canções conhecidas ganham em palco uma força diferente, culpa deliciosa dos efeitos nas guitarras de Cathal Cully (voz) e Philip Quinn, que a par da guitarra teve também o comando do ambiente através do sintetizador e pedais. “A Second Skin”, “Pittura Infamante”, “Drawing Lines”, “Projektion” e “Hypnotic Regression”, com a energia saltitante de Claire no baixo e Gib na bateria, levam-nos por uma viagem sonora que vai muito além do que se escuta no disco. O público acompanhou na perfeição, dançando e fazendo a festa. Entre os temas novos, chamamos a atenção para “Zero Triptych” que será o próximo possível hit dos irlandeses. Optamos por não nomear os outros porque, tal como Cathal nos disse, os títulos são ainda provisórios e poderão mudar.

No final, há ainda espaço, tempo e energia para um encore; o público não deixaria que assim não fosse! Regressam a palco para tocar “The New Life” e a meio acontece uma daquelas coisas espontâneas que não têm o preço de um bilhete de entrada e criam memórias que ficam para sempre: a rapariga bonita do meio da plateia que sobe a palco e fica embalada a dançar no meio da banda, para deleite dela e dos demais. A personificação do que muitos precisam realmente: uma vida nova, mais ousada e atrevida; sem medos, pacífica e bem ritmada.

Esperamos um regresso dos Girls Names para breve e estamos cá para acolher o novo trabalho logo que ele seja editado.