A levar de arrastão um manto de shoegaze transfigurado algumas vezes em dreampop e outras em post-punk por cinco registos de estúdio, a dinamarquesa Victoria Cecilia e o norte-americano Martin Klingman tecem malhas hipnóticos de atmosfera densa e nocturna, conseguindo fabricar um ambiente etéreo negro ao mesmo tempo terreno e carnal.

De baixos pulsantes e expressivos, que desenham em primeiro plano os alicerces que sustentam guitarras ora dreamy ora tensas e abstractas e baterias nebulosas, o duo Gliss – que se tem desdobrado entre Los Angeles, Copenhaga e Berlin, cidade onde têm gravado -, chega a Strange Heaven com vontade de roçar o drone em algumas canções de derramar sintetizadores espaciais por cima da sonoridade fosca a que se têm dado ao longo da carreira.

Strange Heaven é o sexto longa-duração dos Gliss e sucede a Pale Reflections, de 2015, num percurso que começou a ser desbravado em 2006 com o álbum de estreia, Love The Virgins. A banda tinha editado já o EP Kick In Your Heart um ano antes, tendo despertado a atenção de Billy Corgan, dos The Smashing Pumpkins, que convidou a banda para abrir os concertos no âmbito da sua digressão europeia, Future Embrace, de promoção ao seu álbum de estreia a solo de 2005, TheFutureEmbrace, que passou pela Aula Magna, em Lisboa, sendo essa a única vez que os Gliss estiveram em Portugal.

Data de lançamento: 9 de Fevereiro, 2018
Editora: Kraftwööd Musik Fabrik

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globetrotter, infografista frustrada, seinfeldo-dependente, apreciadora de aviões, perfeccionista ocd e com vários títulos académicos em factos irrelevantes.

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