Fossemos começar a categorizar o que aí vem e tínhamos tarefa enciclopédica. Gwenno Saunders é galesa, uma das vozes do projecto The Pipettes, já passou pelos teclados dos PNAU (projecto paralelo dos Empire Of The Sun) e de Elton John, é DJ na Radio Cardiff e na Resonance FM e dá os primeiros passos a solo em direcção a sabe-se lá onde tamanha é a quantidade de caminhos apresentados em Y Dydd Olaf. Editado originalmente em 2014 pela Pesli Records numa edição limitada que se encontra esgotada é agora reeditado em escala mais alargada pela Heavenly.

Se houvesse ainda alguma ténue incerteza no que toca aos créditos e talento de Gwenno ficariam imediatamente desfeitos ao chegar ao minuto 43 da trip pelas raízes linguísticas da pequena nação a oeste da ilha mãe da pop. Todo ele cantando em galês com a excepção de um tema em Cornish, o extinto dialecto da Cornualha, Y Dydd Olaf aponta armas a um futurismo inqualificável no espaço e no tempo e aterra com estrondo num caldeirão mágico de um alienígena sem filiação nem tribo. Soberbo, indefinível e superior são adjectivos redutores para um disco que assente nos pilares da electrónica não cabe simplesmente em chavetas comparativas e abre um buraco no mundo para se aconchegar na sua própria identidade. Com toda a certeza um dos incontornáveis que 2015 já viu nascer.

Inspirado numa obra literária sci-fi obscura do País de Gales escrita por Owain Owain passada num futuro distópico onde robots escravizam os humanos, Y Dydd Olaf é um manifesto conceptual politico, feminista e intelectual mas acima de tudo um disco inesquecível e uma obra de arte que abre caminhos a uma revolução nem que seja de conceitos porque as armas devem continuar no cofres na mesma. Em jeito de apresentação ficam “Patriarchaeth”, “Golau Arall” e o remix de Andrew Weatherall lançado hoje para “Chwyldro”.