Os 90s ainda não são os novos ’80s’, objecto de revivalismo até à exaustão (que em vários meios motiva que quase não se ofereça palco aos músicos com originais). Será pela qualidade de muitos dos clássicos daquela década, em tantos casos difíceis de replicar? Será porque os 90s foram um período com um mainstream melhor relativamente a outras décadas? No caso da electrónica, será pela complexa densidade rítmica de estilos como o jungle ou o trip-hop ou o drum’n’bass ou…? Talvez seja pelo futurismo daqueles sons, que ainda soam a ficção científica.

E vendo o novo videoclip que os HÆLOS publicaram na quinta-feira, a música de “Separate Lives” faz alucinar ‘spinners‘ (aqueles veículos de Blade Runner) nos muitos carros circulando enquanto se escuta a canção. É um contrasenso fazer música típica de uma década anterior e a mesma soar futurista, mas é uma possibilidade forte quando se produz drum’n’bass ou trip-hop que emerge à memória clássicos como a popular “Not Alone” de ATB ou “Inner City Life” de Goldie.

E há ainda as corais vozes do dueto, num registo agudo como várias canções de, por exemplo, os contemporâneos Portugal The Man, mas que em “Separate Lives” não é um tributo ou uma réplica, é a função original do cante, de expressar o sentimento e as emoções da letra, neste caso, o esforço (emocional) de quem resiste a um sofrimento.

Atenção a esses HÆLOS, tão recomendáveis que já foram remisturados pelos prestigiados U.N.K.L.E., certamente agradados pelo que escutaram!

HÆLOS