A mítica sala de espectáculos que hoje pontifica com vista privilegiada para o Douro e assente nas estruturas de ferro do Mercado Ferreira Borges na cidade do Porto, abria portas nos limites da margem oposta há duas décadas, mais precisamente a 18 de Dezembro, de 1997. Foi em Vila Nova de Gaia, por entre os símbolos das dezenas de caves de Vinho do Porto que ainda hoje se confundem nas linhas de horizonte recortadas nos céus do lado sul do rio, que florescia aquele que a História haveria de confirmar como um marco artístico indissociável da paisagem física e sonora da Invicta.

Incubadora de incontável número de concertos, endoutrinadora de centenas de milhares de espectadores que passaram por ambos os redutos sonoros de um sala de espectáculos que cedo se colocou na vanguarda da oferta de concertos não só a Norte como em todo o espectro do território lusitano, o Hard Club celebra 20 anos não só de música, mas também de um rol interminável de memórias e momentos felizes, destilados numa programação que ao longo dos anos sempre soube manter-se relevante, atenta ao borbulhar sonoro contemporâneo sem esquecer o passado e profundamente eléctrica.

Uma das maiores salas do país à altura, o Hard Club teve como mentor Kalú, baixista dos Xutos e Pontapés, arquitecto visionário daquela que se tornaria um dos espaços mais emblemáticos do país. Para soprar as vinte velas do bolo, terá lugar uma programação especial de comemoração da data simbólica com um Urban Market, que se realiza hoje, dia 14, e que dá o mote para uma série de concertos que se realizarão entre os dias 15 e 17 deste mês e que se espraiam por um fim-de-semana que oscila entre as deambulações sonoras de Manuel Cruz na sexta-feira na Sala 1, dia em que actuam também O Bom, O Mau e o Azevedo na Sala 2 que acolhe também o regresso das Rubber Sessions.

No dia seguinte, dança-se com o electro-hip-hop-funk dos Orelha Negra, numa noite recheada também com o hip hop dos Ermo e do Conjunto Corona, para domingo se agitarem as paredes da sala com o punk dos Patrulha do Purgatório que encerra a noite e que subirá ao palco depois da exibição do documentário “Enterrado na Loucura: Punk em Portugal 78-88”.

Como parte das celebrações, haverá também lugar à inauguração de duas exposições de fotografia, uma delas relativas aos concertos albergados pela sala, enquanto a outra dá a conhecer todos os passos da construção do Hard Club, depois de atravessado o rio. Todos os dias, das 11h às 19h, a entrada é livre.

Hard Club Cartaz

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