Pressente-se inegavelmente toda uma imensidão de misticismo convergente na música de Högni. É como se ele próprio criasse uma estonteante aurora boreal e mutasse a atmosfera, balançando os sons como se se movesse entre dois mundos, com a sua voz numa incessante busca pela libertação das suas emoções. Como um pintor pressa o pincel na sua tela colorindo-a com formas que habitam lugares entre a alegoria e o sonho, dir-se-ia que Högni mergulha numa introspeção para fazer submergir o seu admirável e complexo ser.

Mais conhecido como membro dos islandeses GusGus e do grupo indie rock Hjaltalín, Högni inicia agora uma carreira em nome próprio. O seu álbum de estreia Two Trains tem data prevista para ser lançado a 20 de Outubro pela Erased Tapes e a primeira pista do que podemos esperar deste seu novo projeto é dada pelo primeiro single “Komdu Með” daí retirado. Nas palavras do próprio, a concepção deste disco reflete um período negro da sua vida, em que teve que se aventurar pela noite escura adentro e confrontar-se com os seus medos e incertezas, buscando força e sensatez dentro de si, algo que desconhecia ter, para escolher então que caminho deveria tomar.

Segundo declarações suas, Two Trains foi inspirado no espírito avant-garde que sempre foi característico das gentes da Islândia. Como que resgatando o conceito patriótico romântico do povo islandês dos séculos XIX e XX, não será de estranhar que este seja transportado para o novo tema: o coro masculino, os ritmos metálicos, em modo “tic-tac” de um relógio, cronometrando o espaço da música, e a exuberante masculinidade viking.