Holograms - Forever
85%Overall Score

Quando um disco é ouvido por mim durante duas semanas diariamente, com uma pausa de zanga porque achei que tocava memórias nas quais não queria mexer, estamos perante um caso sério. E eu só me zango com quem gosto; tudo o resto passa para o campo do indiferente.

Os Holograms são quatro rapazes dos arredores de Estocolmo, Suécia. Não tendo público seguidor perto de casa nem locais para tocar na zona deles, fizeram-se ao mundo. E começam a dar que falar! Andreas Lagerström (voz, baixo) Anton Strandberg (bateria) e os manos Anton (voz, guitarra) e Filip Spetze (sintetizador), fazem-se ouvir e bem, de preferência alto e bom som! Sem sombra para dúvidas herdeiros da escola punk de outras décadas, deixam-me a pensar que a herança está em muito boas mãos. Guitarras desabridas que convidam à dança, coros contagiantes a pedir serem acompanhados pela nossa voz e uma explosão de energia, que por vezes aparece de forma contida, mas não menos forte por isso.

Passado mais de um ano da edição do álbum de estreia homónimo em 2012 e quase ano e meio na estrada a promovê-lo, de volta a casa não perdem tempo, e reaparecem num fôlego com este Forever, lançado a 3 de Setembro. De acordo com a palavra deles, a essência da banda tem por base energy, honesty, heart and spirit. São dez canções que versam sobre o inconformismo; há uma real preocupação sobre não deixar cair o amanhã, um apelo à unidade por um mundo diferente, lançando o desafio de construir um mundo melhor. Tudo isto com um toque especial de irreverência adolescente a acordar o desassossego dos que se acomodaram a outros sons e a filosofias de vida mais calmas.

Há palavras recorrentes em quase todos os temas, a principal sendo fire como sinónimo de luz, desejo e força de destruição ou renovação. O tema de abertura, “A Secret State”, dá-nos logo uma clara ideia do que teremos pela frente. Cartão de visita bem construído com as coordenadas e descrições do espaço Forever. “Meditations”, um dos temas mais fortes do álbum, faz-nos saltar de onde estejamos, erguer o punho e gritar “Destruction, destruction, destruction! Against all nations!” Como curiosidade, posso contar que attestupa é, ao mesmo tempo, uma noção e o nome que se dá a um espaço físico; conceito muito enraizado na cultura sueca, designa o local no alto de um penhasco onde, diz a tradição, os antigos iam pôr fim à vida quando já não se consideravam auto-suficientes, de maneira a manterem a dignidade e a independência até ao final. “Attestupa” transpira esse sentimento com Andreas a repetir o refrão “I’m so tired”. A sensualidade de “Rush” a fazer arrepiar, com um final a sugerir danças mais intímas “Obey the lust”! De destacar o coro épico em “Wolves”, uma das canções mais calmas mas não menos fortes do conjunto. “A Blaze On The Hillside” traz até nós o incêndio no sentido figurado, o grito cortante “Mother, Father!” A fechar o álbum, “Lay Us Down” é definitivamente um hino, daqueles que se decora do princípio ao fim, se trauteia pela rua, e quando menos se espera, num outro tempo ou espaço longe da audição do disco, nos vem à memória: “Lay us down in unity! Lay us down for eternity. As we greet another day!” Verdadeiramente mágico.

Os Holograms convidam à boa disposição de dias cinzentos, jovens mestres entre um claro/escuro sonoro e temático que no final deixam o rasto de luz de quem sabe passar a mensagem. Descubram-nos!