Greenwood desde há muito que vem dando espaço a uma carreira fora dos Radiohead: seja em nome próprio como compositor de bandas-sonoras, sejas em parcerias – como a que desenvolveu em 2015 com o israelita Shye Ben Tzur e a Rajasthan Express da India e que resultou em Junun, disco que revela Greenwood numa aventura pelo mundo da world music com resultados absolutamente superiores -, seja pelos caminhos eruditos da música clássica, como em “Water“, disco que editou este ano com a Australian Chamber Orchestra, ou no registo de 2012, Threnody for the Victims of Hiroshima, em que participou com o compositor e maestro Krzysztof Penderecki.

Mas o local mais comum onde encontrar Jonny é no universo do cinema, e o final de 2017 traz o músico de Oxford, também peça fundamental dos Radiohead, de volta à companhia do realizador Paul Thomas Anderson, cujos filmes Inherent ViceThere Will Be BloodThe Master vêem a sua banda sonora desenhada a som e pauta por Greenwood. As ligações à banda de Thom Yorke não se ficam por aqui, com Anderson a somar à sua filmografia os vídeos para “Daydreaming“, “The Numbers” e “Present Tense, Jonny, Thom & a CR78” do mais recente álbum dos Radiohead, A Moon Shaped Pool, de 2016.

Phantom Thread, filme realizado por Paul Thomas Anderson que conta com Daniel Day-Lewis naquele que será, segundo o próprio, o último filme da sua carreira, estreou em Novembro nos Estados Unidos e é a mais recente incursão pelas bandas sonoras de Jonny Greenwood. Sobre as influências que definiram a direcção musical do trabalho, o músico revelou em entrevista à Variety que,

Nelson Riddle and Glenn Gould’s Bach recordings were the main references. I was interested in the kind of jazz records that toyed with incorporating big string sections, Ben Webster made some good ones, and focus on what the strings were doing rather than the jazz musicians themselves.

O guitarrista dos Radiohead foi já nomeado para um Globo de Ouro na categoria de Melhor Banda Sonora pela música escrita para Phantom Thread, apesar do disco sair apenas no dia 12 de Janeiro. A Nonesuch Records irá editar, nessa data, o disco em formato digital, com o formato em CD a sair a 9 de Fevereiro e a edição em vinil a 21 de Abril. O primeiro tema retirado do filme, “House of Woodcock”, já é conhecido e é um dos 18 temas gravados em Londres com uma orquestra de cordas de 60 elementos.