Natural de Mato Grosso mas há muitos anos instalado no estado de Piauí, Hugo dos Santos é uma referência em Teresina, a capital do estado, e um pouco por toda a terra imensa do Brasil, onde circula como criativo ambulante.

Tendo actuado com bandas como os Captamata, Fragmentos de Metrópole, Guardia Nova, RegaPlanta e Trinco, e produzido algumas versões a solo, é agora altura de construir um disco a título próprio. Com toda a matéria-prima que reuniu, recebida de forma directa e indirecta, sem rótulos ou etiquetas, o músico e compositor, com uma década de carreira, vai-nos dar um álbum já em Setembro. E que bom que assim seja.

De tecidos que vão em busca do alternativo, do psicadélico, do pop-rock e utilizando com mestria os sintetizadores, as sonoridades arrancam o som da partida para abrir a pista e também as iguarias que nos embalam em fins de tarde com boas varandas.

Hugo dos Santos tem dois EPs lançados em 2011 com os Trinco, Até outro dia e com os Guardia Nova, Quando Chegar. No ano seguinte, lança o EP Trincado, Todos os Santos, obra que contou com a parceria do músico e produtor Ravel Rodrigues. Mais tarde, em 2014, Hugo começa a gravar o seu disco a solo. Para tal, contou com os Burro Morto na parte instrumental. O álbum foi gravado e produzido no estado do Paraíba, na capital João Pessoa, por Haley Guimarães. Em Setembro ficaremos a conhecer um pouco mais desta criação.

Por enquanto, temos três singles para colocar no ouvido e no coração. Em Junho, o músico publicou na sua página de youtube um lyric video para “Fim das Certezas”, com a maravilhosa letra da música disposta por cima de explosões de cor que mostram nuvens, o sol reflectido na paisagem, barcos nas ondas do mar, peixes nos corais e outras formas indistintas. Aqui estão expressas as suas primeiras lembranças do mar e, nesta ode marítima, vemos tantos pontos que nos parecem familiares que o que temos a fazer é deixar a música fluir, sem pensarmos em mais nada.

A letra, de facto, destaca-se muito rapidamente, mas a melodia é igualmente merecedora de um pódio na memória. A guitarra, essa, irrompe por ziguezagues electrónicos muito bem conseguidos.

O céu todo azul se faz de mar
Quando sem onda
Fim da ladeira
Água e sal

Foi também lançada a música “Mudando A Estação”, com letra que fica sem grande dificuldade na nossa mente. E, com esta força toda e ritmo bem contagiante, ficamos logo com vontade de mudar alguns ares da nossa vida, indo de estação em estação. É preciso continuar o caminho, deixar para trás o que é nocivo e abrir os horizontes e as portas a tudo o que seja saudável e belo.

Quando a saudade e o silêncio juntarem-se à dor,
Não restarão nem fagulhas pros olhos,
Minha sombra será verdadeira, os meu passos terão o seu chão
Que é pra mente sentir a fisgada da luz,
Feito peixe e sua última aventura
Mudando a estação, estou mudando a estação

“Longe É Aqui”, single lançado em 2015, mostra no vídeo imagens de ensaios em pleno estúdio e experiências com a equipa, acolhendo reflexões do processo criativo de Hugo dos Santos. É, também, sua intenção dar aos fãs um documentário em torno do disco.

Achem colírio pro olho do mundo, já bem vermelho de tudo enxergar
Meu infinito de cada segundo tem relação bem directa com o ar
Achem colírio pro olho do mundo e um bom calmante pras ondas do mar
Salgando o sono do tolo profundo, salvando aquilo que dá pra gastar

O álbum deverá ser lançado em formato digital, disponibilizado provavelmente na sua página de Bandcamp, em vinil e CD. Setembro está já aí e a espera é curta. Teremos muito a dizer, certamente, quando for altura. Salientamos, ainda, a arte da capa do álbum, bastante colorida e exibindo algo que parece ser uma máscara tribal, em tudo intensa e rica. Hugo dos Santos é, sem dúvida, um nome a guardar.