Hunck - Never Had A Dream
86%Overall Score

Os Hunck são um quarteto de Londres que se prepara para dar a conhecer ao mundo o seu primeiro EP, lançado no final já deste mês, a 29 de Janeiro. Never Had a Dream EP é composto por 3 das músicas favoritas que a banda tem tocado ao vivo durante todo o passado ano de 2015, sendo eles “I’ll Wait”, “Up in the Sky” e “So Far, So Deep”. Este EP traz também a sua nova música “Never Had a Dream”, que já foi partilhada nas suas redes sociais de forma a publicitar o lançamento do dito.

Os Hunck ganharam vida no ano de 2013, através dos amigos de infância Frederik Tyson-Brown e Thomas Wykes. A paixão que ambos nutriam por cantores falecidos, como Al Bowdly ou Frank Sinatra, e por sons envolventes e sombrios, levou a que se juntassem como uma dupla, lançando uma cover do tema “In The Wee Small Hours Of Morning” do The Voice Sinatra. Um ano passou e lançaram o seu primeiro trabalho, uma cassete com 7 temas onde estava integrado o tema “Something Missing”, que também dava título à cassete. A banda expandiu-se e acolheu dois novos membros: Kieron Johnston e Michael James Dent. Já em modo de quarteto, 2015 proporcionou à banda uma experiência única; pisar o palco do Reading Festival, um dos mais populares e importantes festivais europeus. Tudo isto se sucedeu ao terem ganho o concurso “Here to Be Heard”, onde foram pessoalmente selecionados, e fortemente elogiados, pelos Everything Everything como sendo os vencedores.

Naturalmente, o lançamento de um EP seria inevitável e em Never Had a Dream EP encontra-se a resposta ao porquê do furor dos Everything Everything sobre os Hunck. Ao registo característico de dream-pop da banda, a incorporação de guitarradas típicas de uma banda indie rock 00s faz com que estejamos perante de algo especial; a conciliação dos elementos típicos de dream pop com as guitarras do indie criam uma melodia única, uma combinação entre o doce e o ‘arrebitado’. À primeira vista, esta combinação seria improvável mas os Hunck fazem-na parecer natural e destinada ao sucesso.

Como arranque, “I’ll Wait” exemplifica da melhor forma como é que a conciliação dream pop/indie rock resulta tão bem nos Hunck; a sobreposição de solos de guitarra com a de sintetizadores constrói um tema muito bem conseguido e que facilmente fica no ouvido. Por outro lado, segue-se “Up in the Sky” e aqui, a melodia dos sintetizadores atribui um perfil mais típico de dream pop à música. As guitarras irreverentes estão lá, mas servem mais para acompanhar e guiar os sintetizadores do que para criar uma melodia alegre e desordeira, o que faz sentido tendo em conta a conotação da letra da música: “I am loser / I guess it’s true / And sooner or later, you’ll see it too”, é um exemplo do tom depressivo que letra da música tenta transmitir. Os dois restantes temas, “Never Had a Dream” e “So Far, So Deep”, continuam a aposta do estilo característico da banda e, em ambas, resulta. De forma a condizer com as letras animadoras destes temas, a banda dá mais ênfase às guitarras, trazendo o equilíbrio na instrumental que faltou em “Up in The Sky”. Aliás, “Never Had a Dream”, tem o potencial de se tornar na música que conduzirá os Hunck para as luzes da ribalta.

A maneira como os Hunck revolucionam as possibilidades do dream-pop e a forma como uma banda que ainda está a emergir no panorama da música indie inglesa consegue criar temas tão arrojados e completos, tornam-nos numa das bandas mais curiosas e promissoras para este ano de 2016. Uma banda para manter debaixo de olhos bem abertos, quando não estão fechados para tentar entrar nos mundos criados pelas músicas deste EP.