Os pianos que caem inicialmente como gotas em câmara lenta numa qualquer cidade pós-apocalíptica em silenciosos tons de cinza e se propagam no éter, desfazendo-se em milhares de partículas de eco num ar denso e sorumbático, no qual se respira uma infinita tristeza, carregam em si o cenário ideal para as animações assombradas da narrativa visual para “The Pure And The Damned”, o soturno tema de Daniel Lopatin enquanto Oneohtrix Point Never que se abandona aos graves à la Lou Reed (ou Johnny Cash) de Iggy Pop e é parte integrante da banda sonora – lançada em meados de agosto e que assina na sua totalidade -, para a película Good Time.

Esses mesmo pianos, aos quais mais tarde se junta uma electrónica desajustada e alienígena que respira no universo tantas vezes asfixiante e bizarro em que se mesclam as paletas sonoras oxigenadas sinteticamente  em atmosferas artificias do produtor norte-americano, embrulham uma história arrepiante em que Iggy Pop testemunha – aparentemente invisível e no seu corpo formado por correntes de ADN virtuais geradas por tecnologia CGI apesar de profundamente humanizado nas suas emoções -, o desespero de Robert Pattinson, parte do elenco do thriller estreado há cerca de uma semana.

Lento e sombrio, sem nunca deixar de ser majestoso, “The Pure And The Damned” deposita na lírica escrita por Iggy Pop uma fé e uma esperança inquebrável no amor. Good Time Original Motion Picture Soundtrack foi editado a 10 de agosto pela Warp Records.

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