Dois anos depois da Odysseya pela mente humana, a banda oriunda de Barcelos apresenta agora “Mar do Norte”. Afonso Dorido, Graça Carvalho, Helena Silva, Jimmy Moom, Mateus Nogueira e Paulo Miranda compõem os indignu, que preparam actualmente Ophelia, o segundo disco daquela que é uma das formações mais interessantes por terras lusas e, até mesmo, no que toca ao post-rock, a nível internacional.

“Mar do Norte” é-nos recitado pela voz calada dos indignu e pintado em vídeo por Omar Nayef, realizador egípcio. Este mar é, como o conhecemos, revolto e imprevisível, e tanto agita rugindo vários metros em altura, como estagna com a força da corrente. Assim é esta faixa.

A maré do tema começa a encher com a criação de uma tensão controlada. As guitarras carregadas de delay e reverbação são ondas que se perdem pela areia onde encontram uma linha de baixo poderosa tão orgânica que nos imprime a sensação de estarmos a ouvir uma sessão improvisada. Já em praia-mar, a bateria entra com uma tarola punchy e, de repente, a água cobre-nos e tudo cobre. Esta ilusão é mesmo gráfica, conferida pelo hiato que dá lugar a uma secção de cordas e piano, como estamos habituados pela mão dos indignu, uma ilusão que cresce para nova entrada da percursão que mantém a textura aquosa e orgânica da música.

Ophelia é aguardado por muitos em todo o mundo. A amada de Fernando Pessoa, ou um dos mais belos quadros de sempre de John Everett Millais, preenchem o cariz histórico do nome, que se suspeita ter sido criado na obra Hamlet de W. Shakespeare. A expectativa de que os indignu destaquem esta personagem de novo é enorme. Ophelia tem novo mar, esperamos que não se afogue.