É sempre motivo de celebração quando colidem dois astros musicais numa órbita conjunta. Distanciando-se a olhos vistos da nave-mãe Animal Collective, Panda Bear assume-se cada vez mais como uma entidade de inflexão individual e, desta vez, aplica com especial desnorte as suas já tão reconhecíveis assinaturas de formas electro-experimentais disformes a “All The Rage Back Home” dos Interpol – tema parte do seu último registo de estúdio El Pintor de 2014 -, desenformando substancialmente a estética taciturna post-punk do original e conferindo-lhe uma dimensão amplamente embriagada.

Esmiuça-se, debate-se, desconstrói-se, mas tudo não passa de exercícios decorativos que resultam sempre em conclusões de efeito nulo. A bifurcação de opiniões entre original e respectiva remistura é eterna e aqui não há excepções. Louva-se, por outro lado, o mérito da metamorfose, a beleza da transformação e a intencionalidade da desordem. E é isso que conta.

rosana rocha sig

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