Foi uma igreja convertida em estúdio nas montanhas isoladas e tranquilas de Perth, na Escócia, que serviu de cenário para a gravação de 17th Century Japanese Aviary, o disco de estreia do singer-songwriter chileno Inti Rowland, agora a viver em Londres, que vai um pouco mais além da tradicional arquitectura acústica tantas vezes circunscrita a técnicas de dedilhação de guitarra, e acrescenta a uma fórmula clássica fragmentos de percusão leve, quartetos de cordas e instrumentos de sopro, algo que, aliás, se nos desponta logo nos primeiros instantes de “Mask Of Winter”, tema que agora ganha as primeiras rotações.

Nascido no início dos anos 90 filho de uma estudante de arte em viagem e um vendedor de alho, Inti Rowland não teve um início de vida particularmente fácil, tendo vivido grande parte da sua infância num barracão de jardim. Ansioso por escapar às teias que o retinham e restringiam, foi na música que delas se libertou. Os anos subsequentes viram o lançamento de forma independente de alguns EPs e também de alguns espectáculos em Londres que permitiram moldar a sua identidade artística, agora desabrochada no disco de estreia e que revela uma espécie de tradução musical das suas experiências de vida.

Um álbum diversificado, forrado a uma miríade de instrumentos, 17th Century Japanese Aviary remete-nos ocasionalmente para o legado de Nick Drake. Para tal, contribuiram não só os quartetos de cordas, como também instrumentos de sopro que encaminham o som para uma vertente mais John Martyn. Um ambiente pleno em reverbação potencia uma voz suave embrulhada em eco tão característica ao tecido sonoro de Benjamin Francis Leftwich e que pontifica composições corpolentas, embora íntimas, que consolidam a posição de Inti Rowland não muito longe da esfera folk moderna de nomes como Laura Marling, Grizzly Bear ou Ben Howard. Um disco de estreia que promete e que chega às lojas a 13 de Abril.

rosana rocha sig

 

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