Estava a começar a semana que acelera para o seu fim, quando Björk trouxe até à luz do dia aquilo que um dos seus realizadores fetiche – Andrew Thomas Huang, a mente por detrás dos vídeos de Vulnicura, “Black Lake”, “Stonemilker” e “Family” -, tinha já ameaçado no início do ano. Um disco novo estaria já em avançado estado de composição e gravação, mas não deixava qualquer suspeita sobre uma possível data para a sua edição. A islandesa avançava então com o nome do seu 10.º trabalho de originais – mais uma miríade de lançamentos de remisturas, lives, compilações, singles e EP’s -, e acrescentava a data de 18 de Setembro para a revelação da primeira das composições do novo álbum. “The Gate” seria apresentado em parceria com a Nowness durante os dias 16 e 17, os próximos sábado e domingo, numa instalação no The Store Studios em Londres, e atingiria na segunda-feira os restantes desafortunados mortais afastados da capital inglesa.

Hoje o dia começou com Björk a confessar nas suas redes sociais que se sentia demasiado ansiosa e que afinal era já hoje mesmo que “The Gate” seria colocado à disposição das hordes de fãs em estado de ebulição. Vulnicura tinha já dois longos anos, e apesar da edição das versões em quarteto de cordas e ao vivo e, de ainda em Junho ter deixado mais uma versão em vídeo para “Notget”, a expectativa tinha sido mantida em valores altíssimos com o big boss da Tri Angle (casa mãe de um dos produtores do disco anterior, The Haxan Cloak), Robin Carolan, a contribuir com um comentário na página de Instagram da editora que dizia “…And yes, her new material is going to blow you all away. Cheers.”

Sabia-se já que o novo disco estaria programado para Novembro e que Arca é novamente um dos responsáveis pela produção, voltando a partilhar o papel tanto com The Haxan Cloak como com a própria Björk que afirmou já que,

Vulnicura was about a very personal loss, and I think this new album is about a love that’s even greater. It’s about rediscovering love – but in a spiritual way, for lack of a better word. “The Gate” is essentially a love song, but I say ‘love’ in a more transcendent way.

“The Gate” está assim em contacto com o mundo e assume absolutamente as formas de um portal, um portal que se abre lentamente e de forma sombria, celestial e aterrorizadora em termos primários, fazendo o papel de barqueiro que atravessa Björk da anterior escuridão que flutuava entre a estrutura molecular de Vulnicura para a transcendência anunciada. Entes microscópicos arrastam-se de forma grotesca por entre túneis de terra encharcada nas lágrimas de antes e elevam-se em entidades de luz que entram e saem de uma ferida sarada no peito. Desconfortável, claustrofóbico e encorpadamente minimal, o primeiro single do novo disco emana uma bola energética quase religiosa e devota altamente comovente e lacrimal

My healed chest wound
Transformed into a gate
Where i receive love from
Where i give love from
And i care for you

Split into many parts
Splattered light beams into prisms
That will reunite if you care for me
And i will care for you

Didn’t use to be so needy
Just more broken than normal
Proud self-sufficiency
My silhouette is oval
It is a gate i can care for you from

Björk - The Gate

Björk – The Gate