Jack White - Lazaretto
70%Overall Score

O que dizer sobre Jack White que já não tenha sido dito antes? Muito pouco. Por isso, vamos passar directamente ao segundo álbum a solo do homem dos extintos The White StripesLazaretto é o passo lógico a seguir ao seu álbum de estreia Blunderbuss. Não existem variações extremas a nível musical. O caminho é o mesmo: um rock muito retro cheio de apontamentos melódicos subtis mas muito bem planeados, que dão um ar mais moderno às composições, diferenciando-as do blues/country rock que outras bandas fazem. Ao contrário de The Black Keys (cujo mais recente álbum é um rip off completo de Pink Floyd), White tenta sempre manter a sua identidade e a sua originalidade nas composições e isso é de louvar nos dias que correm, onde a cópia/programada/formatada é infelizmente o modelo que se segue no que diz respeito ao que é consumível.

A produção é sem dúvida Jack White; muito noise controlado. O som de guitarra com que criou a sua identidade é imediatamente reconhecível na primeira faixa, “Three Women”, e na faixa homónima do álbum, “Lazaretto”, já sentimos que White está na sua zona de conforto e deixamo-nos ir com o groove do riff e da bateria, algo que em The White Stripes era explorado, mas que a solo ganha novos contornos. Existem momentos mais calmos como as músicas mais country “Entitlement” e “Want And Able”, que mesmo para quem não é adepto deste estilo não consegue desligar muito, devido à voz cativante de White.

Musicalmente pouco mais há a dizer, mas a nível de promoção deste trabalho, White entra no seu modo mais ambicioso. Editado pela sua Third Man Records, a versão “Ultra LP” é em si uma obra de arte, inteligentemente designada a estimular o mercado do vinil. Este contém duas faixas escondidas gravadas por baixo do autocolante da editora e podem ser ouvidas ao colocar a agulha por cima deste (quem nunca viu ou tocou num vinil não entenderá patavina do que estou a falar). Uma das faixas, “Just One Drink”, tem duas intros diferentes, dependendo do sítio onde se coloca a agulha; esta lê a faixa no movimento contrário, de baixo para cima. E, finalmente, hologramas aparecem no disco enquanto este está a ser reproduzido.

Se isto não é uma boa razão para começar a comprar vinis (além da infinitamente melhor qualidade sonora), então desisto. Destaco “Lazaretto”, “That Black Bat Licorice”, “I Think I Found The Culprit”e “Three Women”.