Vêm da Coreia do Sul e acabam de assinar com a tão prestigiada Bella Union para lançar um novo disco, A Hermitage, que é a mais recente amostra daquilo que de singular os Jambinai pretendem trazer à música. Enraizados fortemente nas suas formações clássicas e no gosto mútuo do seu património musical nacional, Bomi Kim, Eun Youg Sim e Ilwoo Lee compõe um trio que traz ao de cima as tradições da música coreana e dignamente as emparelham com referências ocidentais.

O som dos Jambinai, como várias bandas do género, pretende evocar experiências e dar azo à sensação cinematográfica e a forma de atingirem esse fim pauta-se de resultados sui generis. Há uma saborosa sensação de uncanny a apoderar-se dos temas que compõe, que quase sempre remetem a locais simultaneamente bizarros e atraentes que, embora saibam a familiares, dificilmente conseguem ser descritos por palavras. O trio utiliza, juntamente com uma guitarra e uma bateria mais “rockeiras”, uma miríade de instrumentos tradicionais coreanos como o haegeum, uma espécie de violino muito comprido e o geomungo, um colossal e assombroso portento capaz de ameaçar qualquer contrabaixo.

Numa fusão hábil entre um som mais experimental, a tradição e o hard rock, a música dos Jambinai rapidamente consegue variar das atmosferas pesadas e construtivas dos Godspeed You! Black Emperor até à força primitiva de uns Slayer. “They Keep Silence”, por exemplo é uma alongada composição que pacientemente se empilha em pesadas sucessões de camadas que brincam ao longo das dinâmicas quiet/loud que a banda instaura. Ainda assim, com A Hermitage, os Jambinai pretendem quebrar um pouco essa tendência mais progressiva a favor de uma agressividade mais imediata ao mesmo tempo que quebram os estigmas sobre a música tradicional asiática como algo destinado só ao “chill out”.

Na verdade, um dos próprios propósitos para a criação da banda incidiu precisamente na vontade dos membros de comunicar com as pessoas que normalmente não ouvem música tradicional coreana e trazê-la ao palco sob uma nova roupagem. Isso significa, também, colocá-la num contexto actual, pelo que muitas das composições presentes no novo disco são inspiradas em antigas modas e canções e interpretadas à luz de assuntos importantes na vida pública coreana, como a infelicidade geral que leva a que a Coreia do Sul tenha a mais elevada taxa de suicídio do mundo. “Deus Benedicat Tibi”, por exemplo, inspira-se numa canção feita para se tocar quando o Rei marchava nas ruas para dizer a cada sul coreano que ele é o rei da sua vida.

A este ponto, e à luz da própria adição à família Bella Union, o percurso dos sul coreanos vê-se cada vez mais expandido em termos de fronteiras e audiências que a partir de 17 de junho poderão já explorar as texturas ásperas e místicas de A Hermitage. Envoltos em cabedal e numa aura negra e portentosa, os Jambinai são daquelas bandas que arranham ao ouvir, contudo, raramente um arranhão soa tão exótico.