James Robinson - Start A Fire
75%Overall Score

No silêncio é onde te oiço melhor. É! É no silêncio onde se ouve melhor quando precisamos que as vozes nos falem destas coisas. De como mudaste e mudas e nem dás conta, de como és o resultado de uma equação de matemática metafísica e de como as tuas partes são mais que um todo… És o resultado daquele fogo que acendeste! És a Causa e a Consequência.

É por aqui que James Robinson, alma gémea de Ben Howard –  é impossível a dissociação das vozes e dos formatos – pega fogo a este segundo EP afastando-se da fórmula fake-pop rádio anos 90 do cantor sensível e com retoques de soul de Ropes editado em 2012. Robinson veste-se de songwriter, de British Sir da folk com lições bem estudadas e canções, canções a sério. Quatro canções cheias das tonalidades das zonas rurais de Inglaterra ou das praias de sol ténue da sua Brighton natal e berço de muita da melhor colheita UK dos últimos anos, lembrem-se os British Sea Power, Bat For Lashes, Kooks, Fujiya & Miyagi ou Fink.

“Start A Fire”, a música, começa Start A Fire, o disco, e carrega em si exactamente o mesmo sentimento e vibração de “Keep Your Head Up” de Ben Howard. O homem que cresce e avança, deixando o mundo que já não é para trás. Start A Fire, o disco, debate-se, ao longo de si mesmo, em torno dos temas da evolução do Eu, do respirar fundo, sentir o ar e avançar. Um disco com a paz de espírito e as suas tormentas de quem assoma ao mundo renovado e, mais que recriado, reassumido além dos restos mortais do que ficou para trás, os “Smoke And Ashes” que fecham o EP e a canção maior do trabalho de Robinson. A percussão que se enrosca à fogueira num contrabaixo é de uma subtileza e de uma leveza que poucos serão os cantautores desta nova geração a conseguirem atingir este elevado grau de depuração. Gonzalez, Ryan Adams e Damien Rice têm companhia daqui em diante.

Entre entes dois temas alojam-se “Demons” e “Holes In The Sky”. “Demons” é a carta fora do baralho, o bilhete de avião para terras americanas. Canção escura com um baixo jazzy e Jeff Buckley como convidado especial. Parece um objecto estranho às primeiras audições, mas torna-se um contraponto essencial no som do disco e na mensagem de Start A Fire. O Yin no Yang dos restantes temas, trazendo as sombras essenciais à luminosidade do trabalho.

“Holes In The Sky” pisca o olho aos açúcares sem cair em tentação, sem os demónios que já foram e nem as cinzas que se vão deixar para trás. É o bolo na montra, porque os olhos também comem. Com bastante mais do que uma dose q.b. da folk-pop de amores de praia de Ed Sheeram, “Holes In The Sky” é ao mesmo tempo poeticamente rica e de uma honestidade cristalina, atira os sentimentos para cima da mesa, sem medos de exposição, enquanto James canta sobre evolução com toda a simplicidade de quem descobriu onde reside a verdade ou, pelo menos, que a verdade é um predicado único e intransmissível.

«Do you take this man that I Become», canta James no tema que dá nome ao EP… We do, mate, we do!  E isto sabe a tão pouco… venha o longa-duração, s.f.f.!

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