Há muito que James Vincent McMorrow era um nome do qual já se sentia a falta nos palcos portugueses e é, sete anos após ter lançado o disco de estreia Early In The Morning, que se preenche essa lacuna. Mas James, que no período vigente dos seus dois primeiros álbuns foi imperador de uma folk intimista e beijada pelos raios de sol que invadem as manhãs e as tardes dos alpendres bucólicos com vista para infindáveis campos de trigo,  já não vem como entidade senhorial debruçada exclusivamente sobre as paisagens mais calmas e tranquilas da Irlanda profunda que o viu nascer.

Num rescrever cumulativo da sua persona artística, Vincent McMorrow desembarca numa Lisboa já banhada pelo verão na vaga de um r&b minimalista forrado a uma miríade de nuances electrónicas, expansivas e quentes, de We Move, o seu terceiro disco editado há apenas quatro meses, numa linha que conduziu Bon Iver, meses antes, ao mesmo destino. E porque parece que James absorveu de forma impaciente essa sua nova vertente, é provável que durante este ano seja editado um outro lançamento discográfico, que seguirá as mesmas pautas do disco anterior, a julgar pela estrutura sonora da sua última criação “Get Low“, divulgada em novembro passado. James Vincent McMorrow actua no SBSR no dia 17 de julho.

James Vincent McMorrow não sobe ao Palco EDP, no entanto, sem antes o norte-americano Kevin Morby ter actuado dois dias antes no mesmo palco. Depois de ter passado pelo Auditório de Espinho em finais de novembro com o seu Singing Saw do ano passado, as terras mais a sul recebem agora as cores do folk rock do interior da América do ex-Woods. Embrulhado numa sonoridade que resgata muito das tonalidades rock dos anos 70 na mesma esfera em que orbita Cass McCombs e Damien Jurado com brilhos de Dylan e Springsteen, Morby traz três álbuns de uma carreira a solo que iniciou em 2013 com Harlem River. Para observar as estrelas dos horizontes longínquos do Missouri nas pautas das dezenas de canções nostálgicas que trará à capital no dia 13 de julho.

A fechar o lote de confirmações do festival que voltou à cidade, Bruno Pernadas joga com os seus tecidos embebidos em jazz numa Lisboa que tão bem conhece. How Can We Be Joyful in a World full of Knowledge revelava em 2014 um jovem prodígio que arrebatou a crítica com uma versatilidade sonora que vai rareando. Penetrando na malha de várias chavetas sonoras e detentor de uma capacidade inata para fundir pop e jazz, psych e folk no mesmo caldeirão de sons, aos quais se junta uma tropicalidade quente que chega até a ambiências mais dançáveis, Pernadas sobe também ao palco os dois registos de estúdio que editou no ano passado de uma assentada só: “Worst Summer Ever” primeiro e “Those Who Throw Objects At The Crocodiles Will Be Asked To Retrieve Them”. Bruno Pernadas acompanha James Vincent McMorrow no Palco EDP, actuando no mesmo dia.