8 messes passaram-se sobre o lançamento de We Move, o terceiro registo de estúdio de James Vincent McMorrow e aquele que assinalou de forma mais ou menos inesperada a passagem de melancólicas e tranquilas (a espaço, sombrias) atmosferas campestres para um r&b minimalista abundantemente urbano, redefinindo-se assim as linhas básicas da sua identificação não só aos olhos do público como, simultaneamente, da sua própia identidade sonora. A evolução do irlandês enquanto artista fez-se de forma evidente rumo a um percurso trilhado em paralelo com Bon Iver, que deixava cair pelas mesmas alturas a imagem de trovador mensageiro de boas novas bucólicas e pastoris para se lançar numa electrónica experimental fragosa e áspera. E assim passámos a ver regularmente McMorrow atrás das teclas de sintetizadores.

Poucos dias depois de um surpreendente anúncio de um novo registo de originais – que levará o título True Care -, muito se especulou se McMorrow continuaria seduzido pelas ambiências electrónicas ou se voltaria, de alguma forma, aos territórios mais orgânicos que lhe construíram o percurso inicial. O single de avanço, homónimo ao álbum, embora longe, muito longe da folk que despertou o dublinense para as consciências musicais globais, não clarifica de todo a resposta a essa questão: se por um lado em “True Care” penetram os mais sibilantes tecidos electrónicos, por outro é perceptível uma tendência mais clássica e intemporal, numa conjugação de r&b que lhe reconhecemos já como seu, e a soul com pequenas nuances de jazz, principalmente nos instantes iniciais da canção num falsete à cappella.

O tema resulta da necessidade do irlandês de conceber um trabalho mais sincero e instrospectivo e fala-nos da procura pela beleza nas coisas mais mundanas e nos detalhes que passam geralmente despercebidos ao olhar absorvido pela rotina diária. A acompanhar o lançamento do tema, um lyric video cheio de alforrecas luminosas sobre um fundo negro.

True Care será o quarto longa-duração de um James Vicent McMorrow que se transfigura a olhos vistos, embora se sinta na sua música e na sua voz um passado relativamente recente delineado por uma acumulação de experiências sonoras feitas em universos distintos e bem diferentes do actual. Será lançando na próxima sexta-feira dia 26 de maio via e será editado pela Caroline Records/AllPoints Recordings. O irlandês actuará em Portugal, no Super Bock Super Rock, no próximo mês de julho.