Serve mais um copo! Não, serve mais 12 copos de Jameson, bem cheios! Um por cada um dos novos nomes que se juntam ao cartaz bem regado do Urban Routes. Uma frente quente vinda da Irlanda pela silhueta sexy das garrafas de whiskey da Jameson está-se a formar ao largo do Cais do Sodré, por baixo do arco da Rua Nova do Carvalho, onde as portadas do Musicbox se preparam para traçar mais uma vez rotas urbanas de sons e tendências. E que cartaz deliciosa e ebriamente transgressor começa a ganhar formas. Se beber não conduza não se aplica ao Urban Routes de todo.

Já se sabia que os detentores de um dos discos do ano mais aclamados do ano, os Wild Beasts e o seu Boy King, estavam de trono assente no palco do Musicbox na noite de 24 de Outubro. Também já estava marcado para a noite de dia 30, nomeadamente a última, o regresso dos Liima – a banda que funde Tatu Rönkkö com os Efterklang – ao mesmo espaço que os acolheu em 2014 ainda na altura sem o tal cognome de Liima ou, pelo menos, ainda na fase de transição entre a colaboração e o assumir de uma entidade singular. Além deles e dos Gold Panda, dos Bloom – o novo projecto de JP Simões –, ou dos EGBO e Live Low do Porto, já anunciados em Julho agora juntam-se duas mãos cheias de mais que muito.

As guitarras talhadas a experiências e entre o mundo dual do sonho e do pesadelo são a frente de combate sónico que acontece no crepúsculo de dia 27 de Outubro. Os 65daysofstatic, que tínhamos já anunciado para a cidade do Porto, são o nome maior do duelo que vai encontrar do outro lado um oponente de luxo, noise e transcendentalidade. O trio inglês Thought Forms é um desafio a catalogação e à inércia preguiçosa de ouvir música e encontrar nichos confortáveis. Dois discos apenas fazem deles ainda um dos melhores segredos escondidos do underground britânico, da real alternativa que as guitarras ainda são.

Thought Forms, em 2009, desenhava em tons de shoegaze e de um post-rock afiado em lâminas mas deixava a sensação clara que o mundo dos sonhos não era assim tão claro. A prova disso mesmo vem em 2013 com Ghost Mountain. Um trabalho impressionante, escrito do grito ao sussurro, do balanço hipnótico de um pêndulo ao corte violento de uma guilhotina, entre os mundos terríveis do crossover, dos ecos das primeiras salas de ensaios dos Sonic Youth ou de uma ideia metafísica cantada por uns My Bloody Valentine nascidos na cave de uma sala de torturas japonesa. Um relíquia macabra de  peso e beleza incandescente. A vinda a Lisboa acontece antes do lançamento do terceiro disco de originais, marcado para Novembro de 2016.

Por outro lado os 65daysofstatic já pouco ou nada necessitam de introduções. A matemática do sonho vem em ondas electrónicas e de guitarras gigantescas, de visões futuristas e intrincadas paisagens. Donos de uma sonoridade perfeitamente estabelecida no post-rock e nas investidas galopante por territórios assumidamente cinematográficos, a banda de Joe Shrewsbury, Paul Wolinski, Rob Jones e Simon Wright traz o recentemente lançado No Man’s Sky: Music for an Infinite Universe, banda sonora para o jogo No Man’s Sky. Uma noite, o sonho e pesadelo, o denso e a luz, o futuro e o primordial.

Do outro lado da noite chega-nos a segunda sessão para a data de 27 de Outubro que, na verdade, começa já na madrugada de 28 pela meia-noite e meia. Desaparece a aridez e o calor gelado das guitarras e dos sonhos e entramos em modo urbano. Mykki Blanco e Teebs arrancam para tons e beats que habitam nos universos do hip-hop, do queer-rap, da beat music, das camadas e camadas de ornamentos electrónicos e, sem dispensarem igualmente um certo estado onírico, é no cimento e nas ruas que esta música é feita.

Mykki Blanco é um dos mais altos representante do queer rap: performer, poeta, activista, a voz gritante de um movimento, rosto virado de frente para a polémica, para o lado ainda mais polémico do hip-hop. Dono e senhor de um ultra-poderoso beat, de uma abordagem quase industrial ao espirito negro, nascido e criado na selva do punk e do riot grrrl, Blanco não assina segundo leis nem ordens, Mykki não dá pelo nome de rapper, Mykki Blanco é o multi-género em todo o seu esplendor cru e despido, sentido e predisposto a gritar bem na tua cara do que é feita a sua liberdade e identidade. Relembre-se que o californiano foi preso no aeroporto de Lisboa em 2014 depois de um confronto de palavras com um agente da autoridade no local. Blanco esteve na ZDB com a performance “Baby Steps: How to Heal Yourself From Everyday Psychic Poisons or Repentance for Dummies”, a conclusão da residência artística de um mês na mesma sala lisboeta.

Produzido por Woodkid, o disco de estreia oficial de Blanco sai em Setembro depois de uma série de EPs e mixtapes. Como depois da tempestade vem a tranquilidade, Teebs traz consigo um outro lado do hip-hop. O mesmo que partilha com nomes como Flying Lotus ou Prefuse 73 e que abre para os mesmos campos de Fourtet ou Matmos. O hip-hop que contempla, que atravessa véus de realidades paralelas, que assombra sem ensombrar imaginários místicos ainda que cinéticos. Mtendere Mandowa, a face de Teebs, é pintor, produtor e um dos elementos chave da editora Brainfeeder. A mesma noite, um outro sonho e realidade, o denso e a luz, o futuro e o revolução.

Achavam que não havia a celebração nacional? Há pois! Como a saudade não assenta arraiais e não vive em vilas nem cidades é tempo dos Sensible Soccers regressarem ao Musicbox, sala que não lhes sente o sabor progressivo a psicadelismo e a melancolias épicas há já largos tempos. Villa Saudade ainda está fresco apesar do sentimento de pertença como se o disco tivesse anos tal a familiaridade e a sensação que a música em si inscrita carrega. Sem alicerces presos ao verbo, sem poemas a ditar linhas melódicas e com a experimentação sem estilo nem ditaduras, os Sensible Soccers cresceram de quarteto para trio e aumentaram a intensidade de jogo. A banda entra em campo na noite de dia 28 mas não vem sozinha. Vem de arrasto um cometa que vai garantidamente deixar marcas a quem deixar a banda londrina canalizar os espíritos que bem lhes apetecer.

Um longa duração e um EP são mais que suficientes para perceber que Danalogue The Conqueror, Betamax Killer e King Shabaka, os The Comet is Coming, não estão nem aí para fazer concessões. O som da banda embate na terra com saxofones, percussões de trovão, baixos carregados de fuzz e funk, jazz a rodos, psicadelismos que nem um ácido consegue descrever: Pensem em Sun Ra, em batucada, em Battles ou numa versão acid de um filme sci-fi. Get it?! Não?! Pois a ideia é essa! Abrir crateras profundas na mente humana.

Aos sobreviventes espera-lhes um momento de história em directo. Os Nighmares On Wax ou se preferirem George Evelyn aproximará a mesma noite de 28 da manhã de 29. Nome seminal e imperativo na electrónica moderna foi e é um dos pontos de encaixe de estilos e mundos. Passou pelo hip-hop, pelo trip-hop, pelo house, pelo ambient, pelo dub, pelo jazz, pelo acid, por tudo que tenha beats e alma. Passou por todos em viagem e os levou a todos constantemente numa cruzada de fusões. Um dos primeiros nomes a levar o carimbo da WARP e todos já sabemos o que só isso por si já significa. Mais de uma dezena de discos entre 91 e 2014 são o legado de um dos génios maiores que a electrónica viu nascer. We do! Do you? Be there, we mean!?

Ainda não satisfeitos? Bom, o menu de degustação regado a Jameson ainda contempla DJ Kon, senhor que serve nos seus pratos uma variedade obscura de disco, funk e soul sempre com a pista como ingrediente, o português Rui Murka, a holandesa Xosar e o seu house esotérico e ritualista e ainda a menina da Invicta, Mvria. Tudo sempre para conjugar o verbo Dançar com o verbo Beber… Jameson, pois claro!

Neste novo Formato será possível a compra isolada de ingressos para cada sessão de concertos, mas também a de bilhetes que permitem o acesso a todas as sessões de um determinado dia. O festival disponibiliza ainda dois pacotes especiais de bilhetes em número limitado. Aqui ficam todas as informações sobre os pacotes de bihetes para o Jameson Urban Routes ’16.

PACOTES

Jameson 5S:
Acesso a 5 sessões à escolha e entrada garantida nas sessões de acesso livre
Preço: € 50,00

Bilhete Festival:
Acesso a todas as sessões do Festival e entrada garantida nas sessões de acesso livre
Preço: € 99,00

Sessões Individuais:

SESSÃO 1: Wild Beasts
Segunda, 24 de Outubro . 21h00
Preço: €18,00

SESSÃO 2: Live Low + Bloom
Terça, 25 de Outubro . 21h00
Preço: €10,00

SESSÃO 3: Egbo + Gold Panda
Quarta, 26 de Outubro . 21h00
Preço: €14,00

SESSÃO 4: Xosar (live) + Mvria
Quarta, 26 de Outubro . 00h30
Preço: €10,00

SESSÃO 6: Thought Forms + 65daysofstatic
Quinta, 27 de Outubro . 21h00
Preço: €14,00

SESSÃO 7: MYKKI Blanco + Teebs
Quinta, 27 de Outubro . 00h30
Preço: €12,00

SESSÃO 9: Sensibble Soccers
Sexta, 28 de Outubro . 21h00
Preço: €12,00

SESSÃO10: Dj Kon + Nightmares on Wax
Sexta, 28 de Outubro . 00h30
Preço: €10,00

Bilhetes de dia (Contemplam o acesso a todas as sessões do mesmo dia)

Bilhetes diários:
PREÇO: €20,00

Jameson Urban Routes 2016

Jameson Urban Routes 2016