Joan Wasser e Benjamin Lazar Davis são dois nomes que nenhum livro que verse sobre a música nascida com o novo século pode evitar. Se Joan foi um dos pássaros de Antony Hegarty – hoje Anohni -, em I Am a Bird Now e gravou um disco nunca editado com os Black Beetle, banda formada pelos músicos que integraram a banda de Buckley – seu namorado na altura da sua morte em 97 –, com o objectivo de de alguma forma lidar com os sentimentos de perda e de falta que Jeff deixou entre aqueles que mais de perto assistiam ao seu génio criativo, por outro lado a sua carreira enquanto compositora e voz de autoridade suprema enquanto Joan As A Police Woman sustenta-se e eleva-se a si mesma sem qualquer necessidade de artefactos externos.

Do outro lado do yang desta mandala criativa encontramos Benjamin, homem de canções delicadas escondidas entre as gotas de chuva que escorrem suaves nas canções pop e de vanguarda dos seus Cuddle Magic, canções que exploram as subtilezas da exploração sonora e das margens sónicas da capacidade de sonhar. Ashes​/​Axis, último trabalho do colectivo norte-americano, saiu em Janeiro passado e expõe algumas das influências trazidas do Gana em 2014 onde esteve a explorar a música tradicional do Nordeste e a aprender gyil, um instrumento tradicional ganês. Mas Benjamin Lazar Davis pode ser avistado em outras paragens com algum frequência, a última das quais junto aos Okkervil River de Will Sheff no disco do ano passado, Away, que contava com colaborações de nomes como Marissa Nadler e Jonathan Meiburg dos Shearwater.

 

 

Foi na confluência do interesse por África e nomeadamente pela musica tradicional da República Centro Africana que esta história a dois começa. Joan tinha também viajado ao continente africano, envolvida que esteve nos concertos que a African Express de Damon Albarn promoveu na Etiópia e desenvolvido um fascínio especial pelas sonoridades daquele que é considerado o continente berço da humanidade. Daí a começarem a escrever juntos e a abraçar a interferência do continente negro e das experiências de ambos na sua música, pouco tardou.

O resultado foi um disco desavergonhadamente pop, mas do lado mágico da categoria onde temas espaçosos – e ao mesmo tempo com os olhos postos fora da pop -, dão as duas mãos na vontade de experimentar a quatro mãos. Detalhes muitas vezes subtis da música africana encontram-se ao alcance auditivo de quem se colocar na posição de explorador. “Let It Be You”, tema que dá nome ao disco, e “Broke Me In Two” são disso exemplos perfeitos, mas desde a soul já explorada pela mulher que aqui veste a pele de polícia em The Classic e passando por canções quase rappadas e pelas delicadezas características dos Cuddle Magic, descobrem-se a cada passo e audição de Let It Be You uma série de pequenos universos enredados de forma tão exemplar que requerem níveis de audição bastante superiores ao habitual dentro do espectro da pop.

Lazar e Joan andam na estrada desde Outubro passado com concertos um pouco por toda a Europa e chegam a Portugal para dois concertos este mês. Joan as Police Woman  e Benjamin Lasar Davis tocam em Lisboa e em Braga nos próximos dias 20 e 21 no Teatro da Trindade e Theatro-Circo, respectivamente.

Joan As Police Woman & Benjamin Lazar Davis

Joan As Police Woman & Benjamin Lazar Davis