Se faz sentido associar a expressão “música electrónica” a corpos se movendo veloz, alienada e energicamente em pistas de dança e ginásios, a verdade dos factos é que a música electrónica tem servido também outros desígnios, mais lentos, focados e aquietantes. Por exemplo, FKA Twigs e BANKS são artistas que têm popularizado uma ‘cuddly’ electrónica pop de marcha lenta ou mesmo reptiliana, transbordando uma sensualidade sofisticada, vestida com muita soul e adornada com acessórios ‘jazzy’. Acessórios jazzy tais como os acordes de trombone sintetizados em “Wolf Baby”, o segundo single da debutante islandesa Karó, estreado na última sexta-feira.

Aos 21 anos, Karólina Jóhannsdóttir, nascida na Islândia e crescida na Escócia (Dundee) até ao início da adolescência, estreou-se no festival Sonar islandês na noite de ontem. Foi o coroar de uma veloz ascensão ao longo do ano passado, na qual venceu em Abril a final do concurso nacional de cantores dos liceus (após ter dominado cada verso de “Go Slow” das HAIM) e só quatro meses mais tarde lançou o primero single, “Silhouette”, a 31 de Agosto. Como cantora, Karó é uma jovem artista muito interessante, com um apelativo timbre belo e emocionado na entrega das notas, servido por uma técnica vocal com excelente noção dos tempos e dos ritmos conjugada com apurada afinação. Tendo uma voz sem grande amplitude tonal, a jovem Karó impressiona por aquela enorme maturidade interpretativa. E por referir inesperadas influências, como a septuagenária cançonetista italiana Mina Mazzini!

Um conceito acima/antes de cada canção

Falar sobre “Wolf Baby” é quase como falar sobre “Silhouette”, porque ambas as músicas foram compostas à típica maneira nórdica (ex: Aqua, Tove Lo, como também Björk requisita) pelos magos da electrónica Les Frères Stefson e escritas também por um deles (Logi Pedro), no auxílio à própria Karó, que é uma estrela em ‘construção’. “Wolf Baby” é para ser escutada em confortáveis auscultadores que redomem os ouvidos, para assim sentir e identificar cada camada rítmica, cada suave melodia de guitarras e teclados bordada nessas camadas, cada arranjo de synths e sopros incrustado naquele traje de sedução que veste a emotiva voz da jovem Karó. Mas não ignorem a letra da canção, que revela uma personagem determinada: “you belong to me”! Todavia, deixem-se ca(p)tivar pela lobinha…

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