Quem já teve oportunidade de girar algumas vezes For Crying Out Loud, o último álbum dos Kasabian, certamente ficou com o surf rock clássico disposto em camadas melódicas de guitarras de “Bless This Acid House” na retina, uma canção mais correctamente apelidada de hino por direito próprio, daqueles hinos de estádio colossais, vistosos e que arrastam tudo por onde passam que os britânicos sempre nos souberam dar, e que saltam para o grupo das “canções a manter em loop” com uma facilidade quase obscena, com algum glam, algum punk e muito na veia dos Undertones e dos New York Dolls. Eles tinham prometido que iriam salvar a música e trazer as guitarras de volta para o palco ainda antes do lançamento do disco e numa abordagem back to the basics – coisa que não cumpriram com os primeiros singles -, mas agora parece que se redimiram grandiosamente e não só cumprem esse desígnio como manda o figurino no tema como no vídeo.

Sempre um bocadinho loucos, um bocadinho fora da caixa, um bocadinho rebeldes e com um sentido de humor tipicamente britânico subjacente aos seus vídeos, os Kasabian resgatam o espírito do punk que revolucionou a Londres do final dos anos 70 numa representação visual monocromática e tocam o novo tema numa espécie de celeiro (que mais tarde se percebe ser outra coisa) para uma plateia particularmente peculiar composta por outcasts, punks, freakshooligans, e gente mascarada – afinal, uma plateia bastante heterogénea -, enquanto vestidos com macacões de riscas que lembram as fatiotas dos prisioneiros. Seja em ambiente rock mais clássico no que respeita à discografia dos prórprios Kasabian, seja nas mais recentes incursões pelo electro-rock, uma coisa é certa: Tom Meighan e Sergio Pizzorno nunca fazem a coisa por menos. Bless This Acid Band.