A história do rock’n’roll é feita tantas vezes de personagens mais ou menos mediáticos, de heróis esquecidos. Tristan, Brian Tristan de seu nome, Kid Congo quando as luzes do palco se acendem, é um deles.

Para os mais distraídos, Kid Congo partilhou a sua magia com o mundo ao longo de uma carreira de quase 40 anos em colectivos mitológicos. Ora vejamos; Kid Congo ao lado de Jason Lee Pierce funda os The Creeping Ritual que rápidamente se transformam nos The Gun Club. Grava o disco de estreia – Fire Of Love alberga aquele que é até hoje o hino de exposição máxima dos Club, “Sex Beat” –, e sai para outro projecto icónico, os The Cramps. Viu as vistas, gravou umas coisas, e foi de volta para os Gun Club até 1988.

Nos últimos anos da década de 80, Tristan segue o caminho marítimo para Berlim onde o esperam Blixa Bargeld, Mick Harvey, Hugo Race, Nick Cave e restante troupe dos Bad Seeds. Dois discos – Tender Prey e The Good Son –, e uma viagem imensa durante quase dez anos. Adicionando ao percurso colaborações com Mark Eitzel em Caught in a Trap and I Can’t Back… de 98, Moss Side Story de Barry Adamson em 88 ou How I Loved You dos Angels of Light de Michael ‘Swans’ Gira é impossível colocar Kid Congo fora dos livros. Junte-se a isto Congo Norvell e Knoxville Girls com Bob Bert que também fez parte dos Sonic Youth e dos Pussy Galore e Jerry Teel dos Bosshog de Jon Spencer e Cristina Martinez. Se houve algum dos grandes com quem Congo não tocou? Parece que não!

Só já no novo milénio é que Kid Congo acrescenta Powers ao nome e arranca como homem do leme da sua música. Os The Pink Monkey Birds chegam em 2006 e é com eles que Kid segue viagem até hoje. Ao lado de Mark Cisneros, Kiki Solis e Ron Miller, Kid gravou cinco discos incluindo La Araña es La Vida lançado já este ano. E é com as aranhas e os macacos-passáros que Kid vem bater o seu Congo ao Sabotage Club na única data portuguesa. É hoje que se pode ver a história acontecer bem na nossa frente.