King Gizzard & The Lizard Wizard - I'm In Your Mind Fuzz
60%Overall Score

Bem que podem ter feito os trocadilhos todos de que se lembraram com os alter-egos de Jim Morrison. Ou encharcarem-se em comprimidos à procura do País das Maravilhas da Grace Slick.  Nem o talento visionário dos Doors, nem o humor ácido dos Jefferson Aiplane. Se o nome da banda é sofrível, e isso serve-lhes a capa do nonsense com que gostam de se apregoar, todo o aparato de marketing não passa de mais um espelho da falta de inspiração própria de quem se lançou no baú do psicadelismo sem arte, talento ou engenho. Mente muita – em excesso – para dar e vender, no título das canções, do álbum e em exercícios de masturbação contínuos. A prova clássica de que a mente também mente.

De resto, I’m In Your Mind Fuzz, quinto álbum dos King Gizzard & The The Wizard Lizard, não é mentira que nos entre na mente de forma desprevenida. O filão de ouro descoberto com os Tame Impala abriu todas as portas para o psicadelismo de imitação da era Youtube.  E o septeto de Melbourne apanhou o barco com unhas e dentes, pegando no conceito lírico déjà vu do mind control e das tentações satânicas. Polvilhe-se a receita com a dose certa de guitarras labirínticas, explosões arrítmicas e viagens oníricas e o menu tem tudo para agradar a um público jovem e ávido de fantasiar a essência do psicadelismo de sessenta. O mesmo que os consagrou recentemente no Vodafone Mexefest. Os músicos são eficazes e têm energia e sangue na guelra suficiente para dar a densidade q.b. aos temas. Só que nada de rasgo, nada de génio, nada de novo. Auto-intitulam-se “um grupo de psicopatas fritos” e é desse little game que baralham e distribuem as suas cartas. Uma banda-piada.

I’m In Your Mind Fuzz, o título guião do álbum, é a deixa cómica do disco. Além de uma jam hipnótica, o conceito prolonga-se nos temas “I’m Not In Your Mind” e “Cellophane”, single do álbum. Composições que assentam mais a sua estrutura nos dois bateristas do que vimos em discos anteriores. Tudo muito krauty, tudo muito circular e hipnótico. São uns primeiros 25 minutos de sprint total com nostalgia à “Master Of Universe” dos saudosos Hawkwind. “Am I In Heaven”, peça central do trabalho, abre com 45 segundos de guitarra acústica deformada antes do refrão melódico em velocidade de colisão. E em “Hot Water” ainda podemos vislumbrar flautas mágicas à Jethro Tull, mas com mais decibéis.

Resumindo, há a fórmula, mas não o espírito. Tem músicas interessantes que cumprem o protocolo do que formalmente se poderia chamar psicadelismo. Acima de tudo, cumprem com eficácia o jogo branco e preto do labirinto maniqueísta de um psicadelismo puramente mental.  Mas não basta cair num caldeirão de peyote para se ser um psicadélico de eleição (o que talvez baste para se ser um bom psicadélico urbano-depressivo). Ou qualquer músico com vocação alucinogénia tirava da cartola um novo Sgt. Peppers Lonely Club Hearts Band.