Quem tenha já passado pelo reino de Kyle Thomas, saberá que o norte-americano que usa as vestes reais de King Tuff desde 2006, tem fortificado as muralhas do seu castelo de guitarras garage, de riffs  descomplicados e ritmos glamish com insinuações mais ou menos claras ao surf rock. Quem por lá passou também já terá sido, com certeza, apresentado ao alter-ego King Tuff enquanto um dos The Muggers de Ty Segall.

King Tuff tinha sido avistado pela última vez a passear, enfeitiçado por um Black Moon Spell, em 2014, ano em que lançou o até agora derradeiro disco. Desde essa altura, em nome próprio, perdurava um grande silêncio que se abateu sobre as terras do seu reino, com Thomas a ver-se lançado para um período de desorientação criativa e depressão.

Tuff – como Tuff guy que é -, arranjou finalmente o antídoto contra o feitiço da lua negra, por entre as névoas descobriu o caminho para o sítio de onde vêm as canções e está de novo de espada em riste e pronto para tomar outra vez o seu trono. Quatro anos depois, Kyle tem uma canção nova para mostrar e muda o rumo sonoro a que habituou os seus súbditos ao avançar com um tema cheio de reminiscências do psicadelismo pop sinfónico e inocente dos Flaming Lips e Mercury Rev.

“The Other” ultrapassa as fronteiras da kingtufflandia e vem-se mostrar através de um vídeo crepuscular, realizado por  Cameron Dutra, que segundo Kyle Thomas simboliza a subida da colina da criatividade.

It’s a song about hitting rock bottom. I didn’t even know what I wanted to do anymore, but I still had this urge-this feeling-like there was this possibility of something else I could be doing… and then I just followed that possibility. To me, that’s what songwriting, and art in general, is about. You’re chasing something, there is something out there calling to you and you’re trying to get at it. ‘The Other’ is basically where songs come from. It’s the hidden world. It’s the mystery. It’s the invisible hand that guides you whenever you make something. It’s the thing I had to rediscover-the sort of voice I had to follow-to bring me back to making music again in a way that felt true and good.

King Tuff não avançou com qualquer notícia sobre um possível disco, mas o caminho está desde já aberto para o regresso às edições pela Sub Pop, em breve.