Kongos - Lunatic
70%Overall Score

Energético, vibrante e despretensioso, é assim que defino Lunatic, o álbum de Kongos, a banda americana de origem sul-africana que está a fazer furor pelos EUA e Reino Unido, e brevemente na Europa também. Estes quatro irmãos, à semelhança de Kings Of Leon, fazem um rock muito pop, no sentido em que funciona bem na rádio (se é que isso ainda vale alguma coisa hoje em dia), mas têm uma vertente de fusão mais interessante que os Kings Of Leon actualmente. Misturam rock “riffalhado” mais cru, com ritmos tribais e acordeões folk, um toque de blues mergulhado em country e até mesmo uma salpicadela de reggae aqui e ali, umas melodias pop mais sombrias, e o resultado final é um álbum inspirado, nada banal no espectro popular/roqueiro dos nossos tempos.

Já os Imagine Dragons andam por estes caminhos, mas também aqui os Kongos têm vantagem pela sua originalidade melódica. Não é um magnum opus musical, mas é sem dúvida agradável aos ouvidos, e sendo que aquilo que estimula mais o ouvido humano na música é a melodia, o que não falta neste álbum é isso mesmo. Tecnicamente a produção está muito boa. Produzido, gravado, misturado e masterizado pela própria banda sem ajudas exteriores (até o artwork e a fotografia são da sua autoria), este acaba por ser um álbum independente, lançado por uma grande editora (Epic). Confirma-se assim cada vez mais o desvio do padrão antigo, onde a editora fazia tudo e impunha às bandas os seus desejos sem opção de veto e a crescente tendência onde cada vez mais as bandas a fazem toda a produção de um álbum, do início ao fim, e depois deixam a distribuição por conta duma editora, que passa a ser mais um meio para a divulgação do que uma máquina de fazer dinheiro à custa do artista.

E estes quatro rapazes multi-instrumentistas são sem dúvida uma aposta segura. Só nos resta esperar pelo próximo álbum da banda. Até lá, é apanhá-los ao vivo. Destaco a música de abertura “I’m Only Joking”, uma explosão de riffs e ritmos tribais contagiantes, “Come With Me Now”, que tem possivelmente o refrão mais vibrante dos últimos anos, onde a frase homónima é gritada por cima dum ritmo sedutor country (impossível de ficar indiferente), “Escape”, uma semi-balada com uma progressão de acordes muito bem sacada e “Kids These Days”, onde a inspiração óbvia é Pixies (e na qual lhes fazem justiça) com um solo de acordeão a fazer lembrar algo saído de um órgão de uma banda progressiva dos anos setenta.