Koria Kitten Riot - Rich Men Poor Men Good Men
60%Overall Score

Antti Reikko é finlandês, homem do cinema e, até há dois álbuns atrás, o cantautor era o único dono do projecto Koria Kitten Riot. Com a edição deste terceiro trabalho, assistimos a mudanças: de vários convidados para a gravação dos discos anteriores passamos a ter uma formação fixa e o projecto é agora um quinteto. A Reikko na viola acústica e voz, juntam-se Lasse Toimi no baixo e coros, Teemu Vanska nas teclas e coros também, Olli Rahkonen na guitarra, pedal steel e bandolim e Eino Anttila na bateria e percussão.

Rich Men Poor Men Good Men é um disco de 10 canções, num indie rock que esfuma a fronteira que o separa do folk. São 10 histórias cantadas numa espécie de contradição entre o som melódico sonhador e um conteúdo algo estranho pela crueza descritiva e temáticas de algumas letras. Um espelho do sentimento de frustração de uma parte significativa das gerações jovens ocidentais que começa logo pelo primeiro tema “Between A Pillow And A Soft Place” dizendo que o que se precisa são desafios que tornem a nossa passagem por cá mais interessante. O segundo tema torna-o ainda mais explícito quando no verso de abertura Reikko canta “Freedom is just a figure of speech…” e, apesar de tudo o que se tem materialmente falando, está sempre presente a solidão. “A Lost Waltz” conta a história de um violinista bêbado que reconhece que na vida há versos que o som do seu violino não consegue expressar. Em “Train Song”, claramente num universo mais folk, o desencanto de crescer. E eu podia continuar a enumeração, mas está tudo dito e as canções seguintes continuam-no: desencanto, copos, solidão, aborrecimento, inactividade cantados de uma forma bonita e inteligente com ironia à mistura, a fazer-nos pensar; mas, por mais que ouça o disco, salta-me sempre um mas. Apesar de achar que os Koria Kitten Riot fazem um som interessante, não consigo encaixar as temáticas e parece-me estranho. Negatividade a mais embrulhada em papel brilhante.

O disco foi gravado em Berlim e produzido por Doug Van Sloun (Bright Eyes, First Aid Kit, She & Him). A banda diz que encontra inspiração em Elliott Smith, Neutral Milk Hotel e nos Wilco, nós dizemos que eles sabem criar uma identidade própria.

Nunca vi filmes de Antti Reikko, se eles forem como as canções que toca e canta, honestamente, prefiro adiar o momento. De tristeza está o mundo cheio. Ouçam e avaliem por vós.