“Sphynx” é uma canção adequada para ferver ânimos concupiscentes, servida por um videoclip que não é para ‘meninos’, portanto, deve ser servida às mesmas horas que as bebidas glamo(u)rosas.

Se há banda capaz de seduzir, essa banda é La Femme. Pela tradição sonora em que se filiaram (a sofisticada french new wave, muito cinemática), mas também por condimentarem o próprio som com outros estilos; por alguma excentricidade em palco; pelo brio de quererem bons videoclips para as canções – por exemplo, o libertino e surrealista “Hypsoline” -; e também pelo nome – a mulher (la femme) é o ser mais sedutor à face da terra, crença também das próprias mulheres.

E apesar do ‘cadastro’ de sedução, os La Femme conseguiram surpreender no novo videoclip para “Sphynx”, tanto no som como no vídeo, que com certeza Marshall McLuhan chamaria um meio muito quente! Um Lúbrico (mais um…) e psicadélico vídeo, para o qual faltam adjectivos: caleidoscópico, muito colorido, egiptológico, eXotérico (com X de extravagante e excêntrico e excitante), inebriante, feminista na sacralização do corpo da Mulher (muitas vezes com os seios expostos) – ‘multiplicado’ pelos efeitos de imagem – e na adoração da mulher-Deusa (que no final cospe meia dezena de homens adultos, com uma altivez só possível às senhoras)…

Quase despromovida a acessório de tão forte videoclip (que devia ser o acessório), a canção “Sphynx” é de facto ainda mais surpreendente! Porque o som está muito distante do habitual ‘ye-ye’ de festa chique da banda. “Sphynx” é um electro assertivamente insinuante – lembram-se de quão sexy os Goldfrapp soavam em “Train” e “Strict Machine”? -, um electro que nem pelo peculiar desfalecer da juvenil voz de Clémence Quélennec parece menos dominador (é tanto que inspirou as dominatriXes, ainda com o tal X, do videoclip).

Resumindo, “Sphynx” é uma canção adequada para ferver ânimos concupiscentes, servida por um videoclip que não é para ‘meninos’ e que as crianças também não estão capacitadas para apreciar, portanto deve ser servida às mesmas horas que as glamo(u)rosas bebidas espirituosas e os champanhes e os cocktails e os melhores tintos – tentando aqui ignorar outras substâncias, mais ou menos legais…

Enquanto o single não chega (a meio de Abril), desfrutem La Femme!