A distopia emocional de Lana del Rey regressa desabridamente às paisagens mais melancólicas dispostas em camadas, quase soturnas, de vários tons de cinza, de sopros lânguidos e pianos derramados gota a gota por beats quasi-trip hop propagados em marcha lenta e mastigada. Espaçoso e envolto em névoas densas, “White Mustang” deixa um pouco do colorido e da felicidade dos anteriores “Love” e “Lust For Life” para trás e volta a enroscar-se na imensidão oca, fria e escura do desencontro, da perda, do desamor, das feridas que teimam em não cicatrizar, da dor, somando filões de peso e ansiedade a uma leveza que justamente agora começava a circunscrever as suas pautas.

O terceiro capítulo visual para Lust For Life – o quinto longa-duração de Lana del Rey editado em finais de junho -, ficou a cargo de Rich Lee, realizador que delineou também a narrativa para o clipe de “Love”, dá continuidade às inflexões miserabilistas pelas quais se mediaram praticamente toda a carreira da norte-americana. Ao mesmo tempo que mantém a direcção do seu Mustang alinhada num cenário futurista, de tonalidades sci-fi, Lana cobre-se de uma incapacidade para evitar a desorientação e a espiral de sofrimento e ruptura à qual conscientemente se tinha abandonado. O vídeo teve Lana e o actor islandês Eðvarð Egilsson como protagonistas de uma história confessionada no rescaldo de uma separação e reflecte a partir das imagens mais um estado de espírito do que propriamente um mero desenrolar dos acontecimentos.

Lust For Life foi editado a 21 de julho pela Polydor e sucede ao anterior Honeymoon de 2015.

O registro, lançado em julho, conta participações de nomes como A$AP Rocky, The Weeknd, Playboi Carti, Stevie Nicks e Sean Ono Lennon.

A direção deste clipe ficou por conta de Rich Lee, que também dirigiu Love, do mesmo disco.