The Last Shadow Puppets - Everything You've Come To Expect
79%Overall Score

Corria o ano de 2008 quando os The Last Shadow Puppets lançaram o seu primeiro e, até agora, único álbum, The Age Of The Understatement. O disco causou grande alarido na altura, principalmente por se tratar de um projecto paralelo de Alex Turner, líder dos Arctic Monkeys – que com apenas Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not e Favourite Worst Nightmare já faziam furor pelo mundo fora – e que contava com a ajuda de Miles Kane (ex-The Rascals e que agora tem uma célebre carreira a solo). Dado o repentino sucesso da banda de Sheffield, que atravessa o auge da sua carreira, havia pouca esperança para que a dupla londrina se juntasse para um segundo longa-duração, mas passados oito anos, Everything You’ve Come To Expect viu a luz do dia.

Sem esses oito anos, Everything You’ve Come To Expect seria algo completamente diferente daquilo que se apresenta; o amadurecimento a nível musical que ambos os artistas sofreram com o passar das Primaveras, fez com que crescessem e produzissem algo adulto, trazendo influências dos seus projectos principais. De facto, em comparação com The Age Of The Understatement, este novo disco leva-se muito mais a sério, não servindo apenas como uma ‘fuga’ das suas outras vidas profissionais, mas sim como um álbum que almeja alcançar novos horizontes, através da sua vertente mais experimental.

Por isso mesmo, “Aviation”, faixa inaugural, e “Bad Habits”, primeiro single, são as únicas dos onze temas que provocam um sentimento de nostalgia para com o ano de 2008, sendo as restantes uma nova face da banda que não estávamos à espera. Isto não é algo necessariamente negativo, atenção: são essas mesmas que acabam por lhe dar identidade, tornando-o em algo intrinsecamente novo e único, contando, para isso, com a ajuda de Owen Pallett e James Ford.

E por falar nos convidados do disco, ambos impulsionam-no um nível acima, demonstrando que não basta a genialidade de Alex Turner e o talento de Miles Kane para se fazer um bom álbum. Exemplos das suas participações são “Everything You’ve Come To Expect” e “The Element Surprise” pois, na primeira, são os violinos orquestrados por Owen Pallett que ligam toda a música e mantêm viva a hipnose causada pelo charme das palavras declamadas por Alex Turner, enquanto que na segunda, a bateria de James Ford aproxima-o das suas origens como músico de dança, algo que nunca conseguiu demonstrar ao longo dos anos em que colabora com os Arctic Monkeys.

“The Dream Synopsis” é o grande surpresa do disco, o seu ponto alto. É talvez das melhores músicas que Alex Turner teve a ousadia de criar, onde revela um lado seu mais humano e simplista, acompanhada de uma belíssima melodia e de uma lírica notável, algo que o seu eu de 22 anos não conseguiria alcançar na altura. “Isn’t it boring when I talk about my dreams?” não Alex, não é. Tal como “Sweet Dreams, TN”, são estas canções simples e ‘queridas’ que fazem com que a dupla tenha ultrapassado a fasquia deixada pelo seu antecessor.

Para os que gostam de The Last Shadow Puppets ‘apenas’ por ter um toque dos Macacos do Árctico, “Used To Be My Girl” e “She Does The Woods” são as mais parecidas com o registo da banda de “When The Sun Goes Down”, naquilo que parece um cruzamento entre Humbug e Suck It And See. São nestas duas faixas, e na seguinte “Pattern”, que Miles Kane adopta uma posição mais presente nas músicas sem ser ofuscado por Alex Turner, algo que não aconteceu no primeiro disco e que acaba por ser o maior aspecto negativo neste.

Curiosamente, o resultado final de Everything You’ve Come To Expect é algo paradoxal daquilo que se estava à espera que fosse o segundo trabalho dos The Last Shadow Puppets mas, ao mesmo tempo, era exactamente isso que se desejava: o factor surpresa. Embora à primeira audição possa não agradar a todos os fãs é, como quase tudo na vida, algo que melhora e que se retém com o passar do tempo.