Aquele que foi em tempos um dos miúdos mais reguilas e destemidos das ruas de Manchester volta aos meandros musicais, agora mais adulto e sensato, mas nem por isso o leão deixa de rugir. Depois de todas as turbulências dignas de uma rock’n’roll star – despiques com o irmão, problemas de voz, a recepção pouco simpática por parte dos media e dos críticos -, os Oasis acabaram por terminar a sua actividade e não tardou até que Liam Gallagher juntasse os rapazes dos Oasis numa nova banda – excluindo, obviamente, o seu irmão –, tendo-se formado assim os Beady Eye. E foi sob esta insígnia que lançaram dois álbuns, e apesar de encontrarmos algum brilho em termos sonoros que já não víamos no período de declínio de Oasis, a estória diz que não foram tão impactantes como aquela que foi uma das bandas precursoras da britpop.

Mas todo o bom filho volta a casa um dia, e mesmo após o desmembramento dos Beady Eye em 2014, Liam Gallagher volta ao mundo da música e a fazer aquilo que o faz ser feliz. Com o anúncio do primeiro álbum a solo e com o lançamento do primeiro single “Wall of Glass”, o nosso hooligan favorito regressa para mostrar que o mundo não é o mesmo sem ele, arrancando a toda a velocidade e com a força de um gladiador para uma nova etapa – musical e não só -, da sua vida. Se “Wall Of Glass” é um hino de estádio, daqueles grandes hinos do rock ,”Chinatown”, a nova faixa de Liam é o reverso da medalha e o yin para o yang.

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Os mesmos que diziam que a voz de Liam se posicionava entre a genialidade de Johnny Rotten e John Lennon, são os mesmos que não acreditavam na sua ressurreição depois dos Oasis. Liam prova precisamente o contrário com uma batida suave e meia dúzia de cordas dedilhadas como pano de fundo e, referenciando Lennon, Gallagher canta:

Well, the cops are taking over
While everyone’s in yoga,
Cause happiness is still a warm gun

Esta criação é também uma prova irrefutável que não é só o seu irmão Noel capaz de escrever líricas sensíveis e comoventes, ainda que não sejam obras literárias dignas de um Nobel. Incorporando as palavras e o seu sentido como muito poucos fazem melhor, Liam dá voz e harmonia a uma canção onde imperam as acústicas suaves e que se celebra a si mesma, por tudo aquilo que significa autonomamente.

Com espectáculos aí à porta e uma presença fantástica em Glastonbury no mês passado – com uma interpretação majestosa e nostálgica de “Don’t Look Back in Anger” a cappella –, Liam Gallagher mistura no seu caldeirão de sons os ingredientes do seu próximo registo de estúdio que levará o título de As You Were e que sairá a 6 de Outubro pela Warner Bros. Do disco já conhecemos várias canções que o britânico estreou já ao vivo durante a sua digressão por Inglaterra.

As You Were
01. Wall of Glass
02. Bold
03. Greedy Soul
04. Paper Crown
05. For What It’s Worth
06. When I’m In Need
07. You Better Run
08. I Get By
09. Chinatown
10. Come Back to Me
11. Universal Gleam
12. I’ve All I Need