E aí está mais uma malha do homem que passou de besta a bestial e de bestial a besta mais de mil vezes nos seus anos de vida. E ele sabe-o melhor do que ninguém: todas os piretes – ou melhor, o famoso V britânico -, todas as lutas em concertos, todos os desatinos com o irmão Noel e afins, todas as palavras ofensivas trocadas com meio mundo sem que a palavra remorso alguma vez passasse pelo seu dicionário existencial, são marcas registadas do brat de Manchester. Ou eram…

Liam tem vindo a deixar escorrer o seu novo álbum – As You Were – pinga a pinga, bomba a bomba, descortinando toda magia concebida muito paulatinamente. Depois da colossal e diluviana “Wall of Glass” surgiu a doce e delicada “Chinatown”, que por sua vez precedeu a brilhante, sorumbática e comovente “For What It’s Worth”. Este método de lançamento tem tudo menos de aleatório, sendo este senhor quem é, e conhecendo-o como conhecemos.

Depois da gala GQ, que aconteceu no dia de ontem, e na qual Liam ganhou os prémios Rock’n’Roll Star e Man Of The Year, a apresentação da faixa fica um pouco aquém de uma possível celebração dos galardões – que, verdade seja dita, valem o que valem. O renascimento das cinzas digno de um ex-Oasis que se tem vindo a demonstrar parece ter perdido o seu fôlego, senda esta faixa a mais esquecível, imediata e acessível das quatro até agora lançadas.

Com a sua guitarra acústica inicial tão característica, “Bold” vai crescendo em termos de enredamento sonoro e instrumental, adquirindo uma musicalidade final estranhamente “moderna”, à qual não estávamos habituados em Liam Gallagher. No entanto, e não nos querendo juntar ao clube do copo meio-vazio esta é uma faixa que, tendo em conta as três canções anteriores, alimenta uma curiosidade cada vez maior em escutar o LP por inteiro de forma a ver como se interligam e ambientam enquanto álbum.

Por agora, teremos que aguardar até dia 6 de Outubro e ir ouvindo “Bold” em duas versões, em estúdio e directamente do palco de Glastonbury.