Ao longo dos já largos anos de existência dos Liars, muitos LP’s foram gravados e todos eles são experiências musicais distintas. A variedade de sons é uma característica da banda que explora a sua criatividade exaustivamente. Mas, como retribuição, a base de fãs não é constante, tendo vindo a variar da mesma forma que o seu som. Talvez por isso não haja grande diferença na história dos Liars desde há 10 anos atrás.

Com o novo trabalho Mess editado pela Mute Records em Março deste ano, o grupo rouba fãs aos braços da pop e ainda bem. A electrónica quase sinistra de um registo já mais que esmiuçado é refrescante. Mas não chega a ser interessante o suficiente, tal como os álbuns.

No entanto, num concerto de Liars podemos ver a diferença de público consoante as reacções às músicas que ao vivo assumem uma dinâmica muito mais comum entre elas do que em gravações. Talvez para aproximar essa diferença gritante entre discos e tornar o concerto mais coerente. Mas a contrapartida pode não ser vantajosa. A pujança quase tribal da bateria de Gross e a excentricidade da performance de Angus não chega para aguentar um concerto sensaborão, mesmo levando em consideração que o Lux incita naturalmente a uma postura do público mais descontraída com propensão para a dança e para o head banging de discoteca. Nem os fãs da vertente mais alternativa e pós-punk que a banda nova iorquina assumiu no início da febre do indie dos anos 2000, nem os fãs da pop electrónica, ficam satisfeitos. Talvez estes últimos fiquem um pouco mais.

A sala composta, mas não cheia, conheceu alguns picos de adrenalina durante músicas, como o mais recente single “Mess On a Mission” e temas como “Brats”, “Plaster Casts Of Everything” ou “Broken Witch”. Angus subiu ao palco ao som de “Pro Anti Anti” e abriu o concerto escondido debaixo de um corta-vento cor-de-laranja que fazia lembrar o Kenny do South Park, somente com uma mecha de cabelo oxigenado a sair da sombra do capuz. Mas até a excentricidade de outrora ficou por aí, não se manifestando muito mais ao longo do espectáculo.

Os Liars já passaram várias vezes por Portugal, tendo estado na edição do Primavera Sound de 2013. E este foi, muito provavelmente, o concerto menos inspirado.