Já é mais que redundante as referências aos músicos que ocupam os lugares cativos na composição dos Liima, o colectivo que habita no eixo Dinamarca/Finlândia e que vive da clarividência sonora dos anos que Casper Clausen, Mads Brauer e Rasmus Stolberg acumularam e continuam a acumular nos Efterklang (o último disco Piramida é já de 2012 e já deixa marcadas saudades) e da mestria do percursionista e baterista Tatu Rönkkö.

Depois de um primeiro disco construído em residências artísticas por toda a Europa, em que Viseu foi a cidade portuguesa que os acolheu embora a banda tenha passado também por Londres e Copenhaga, e que se propunha a ser uma colaboração única e sem continuidade, os Liima encontraram-se num processo continuado de criação. O facto das residências terem continuado, pode bem ter sido um dos factores essenciais para a continuidade do processo, e acabaram por prolongar o one-record stand entre as duas partes para mais um disco.

No polo oposto do pensamento estruturado dos Efterklang, os Liima evoluíram para uma máquina de improvisação e simbiose ambos que, ao que tudo indica, não vai ficar por aqui. A prova é o anúncio que o segundo disco está para chegar em Novembro pela City Slang – o disco de estreia carregou o selo da 4AD -, e a primeira espreitadela para dentro das janelas que adornam a fachada retro futurista de 1982 já é possível.

O tema que dá nome ao disco que foi produzido por Chris Taylor dos Grizzly Bear, tem já um vídeo realizado pela Baby Duka e não deixa o título por imaginário alheio. Casper Clausen nasceu precisamente em 82, e toda a banda nasceu e cresceu influenciada pelo mundo oitentista tão distante visto daqui. Uma década que tem funcionado como dínamo criativo supra explorado mas que não encontra no trabalho dos Liima uma vontade de clonagem mas apenas de lente para melhor ler o presente. Não se espere sons do passado, espere-se como sempre uma vontade de ver para o amanhã.

I think our collective memory and consciousness as a band is shaped from being born in the beginning of the 80’s. It’s a time and place that I keep returning to, to understand and make sense of. It has a lot of personal relevance and so little at the same time, because in time and space it is far away… Everything is changing all the time, nostalgia is looking back, but I’m on the run, even when I stand still.

O vídeo transparece as influências recorrendo ao imaginário dos vídeo jogos numa era em que o virtual é o real e o real se confunde com o virtual, encaminhando a imaginação para as ruas de uma cidade “futurista”.. aos olhos da década, claro.

1982
01. 1982
02. David Copperfield
03. Life is Dangerous
04. People Like You
05. 2-Hearted
06. Kirby’s Dream Land
07. Jonathan, I Can’t Tell You
08. My Mind is Yours