Pode um homem reunir em sua alma e oferecer na própria voz as profundezas (e altitudes) de Terry Callier (convidado de Massive Attack) e Nina Simone e Pat Grossi (Active Child) e Cassandra Wilson e James Blake e D’Angelo e David Lynch (sim, David Lynch!) – e ainda afirmar que quer ser como um Tom Waitspreto‘? O emergente Willis Earl Beal reúne, mesmo! E amanhã o lisboeta Musicbox será o lugar mais adequado do Mundo para confirmar isso. Artisticamente, é uma das melhores promessas musicais deste ano!

A dúvida é só se Willis (vindo da soulful Chicago, como o assombroso Terry Callier) poderá ser um Tom Waits ‘afro’, mas se esse personagem/conceito, além de blues e folk, tem que conter os ‘gutsy‘ funk e soul e alguma magia ‘negra’, então Willis tem trilhado o visceral ‘pathos‘ certo! E ‘pathos‘ é uma palavra pertinente, porque o que se prevê para a Musicbox talvez se aproxime mais de um ritual (nem que seja só emocional) que de um mero concerto. Lançado há poucos meses (final do ano passado), o arrepiante álbum Nocturnes veicula a experiência e a maturidade de um trintão ainda jovem, artisticamente tão ambicioso como talentoso, que não só conciliou géneros e estilos, como também conjugou diferentes artes, dispersando a sua lírica (hiper)realista, amiúde impressionantemente gráfica – como em “The Brown Dog Chronicles” -, por declamados interlúdios narrativos (surrealistas micro-contos em spoken word) entre o carismático cante das canções.
É como se Willis Earl imploda (profundamente) aquilo que Benjamin Clementine explode (extrovertidamente). Um emocionante striptease espiritual, talvez seja a expressão que melhor sintetiza o que é plausível que aconteça nesta Quarta-feira, porque citando Fernando Pessoa, também Willis Earl Bealé um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente“. Enorme expectativa ansiosa por um introvertido choque anímico a meio da semana!