O ano de 2014 ficou marcado pelo enorme “boom” nos festivais em Portugal; subitamente, ir a um festival tornou-se ‘moda’ e a afluência de público era cada vez maior. De modo a acompanhar o crescimento repentino deste fenómeno, diversos novos festivais apareceram em 2015, o que fez com que, no ano passado, se registasse um total de 210 festivais de música no nosso país. Um deles foi o Lisbon Psych Fest.

Caminhando para a segunda edição, o Lisbon Psych Fest volta novamente a apostar num cartaz composto por artistas emergentes e associados ao revivalismo do psych e as suas vertentes – como o shoegaze ou o spacerock. Depois do sucesso do ano passado, onde nomes como The Vacant, Dreamweapon ou Desert Mountain Tribe tornaram-no num festival a ter debaixo de olho, é difícil não ficar impressionado com o que nos espera este ano.

The Underground Youth e os Gnod encabeçam, respectivamente, os dias 15 e 16 de abril mas a música neste evento vai muito para além dos seus cabeças de cartaz; a juntar-se às vibes psicadélicas dos cabeças há, no primeiro dia, os ritmos tropicais de Chicos da Nazca e a ementa chinesa dos Chui Wan. Já no segundo dia, as influências de Sonic Youth e Slowdive nos irlandeses The Altered Hours, o psicadélico típico dos anos 60 dos The Orange Revival e os mundos desconhecidos para os quais a música de Shaun “Nunitzi” Mulrooney e o seu projecto TAU nos transporta, são os pontos fortes para o 16 de abril. E como se trata de um festival português, esta está representado ao melhor nível com as actuações de 10 000 Russos, Sun Blossoms, Ganso, Alek Rein e Twin Transitors, artistas que cada vez mais se estão a afirmar no panorama musical de português. É difícil não ficar surpreendido com o facto de um festival com tão pouca idade consiga reunir artistas de três continentes diferentes.

Reino Unido, Chile, China, Suécia, Irlanda, Alemanha, e claro, Portugal, são os países que estarão representados no Teatro do Bairro, no Bairro Alto, em Lisboa. A juntar-se à acessibilidade do local está o preço dos bilhetes: 16€ o bilhete diário (sobe para 20€ no dia) e 25€ (passa a 30€) o passe para os dois dias do evento. Tendo em conta a qualidade do cartaz , a quantidade de artistas a ver por dia e ainda a existência de DJ’s portugueses a fechar a noite, não há melhor forma de dar o pontapé de saída para a época dos festivais do que com o Lisbon Psych Fest.

Artistas confirmados:

10 000 Russos

Não são dez mil mas sim três os membros que constituem os 10 000 Russos. A banda do Porto é detentora da proeza de serem a primeira, e até agora única, banda ibérica a ter um álbum lançado pela Fuzz Club Records, sendo esta a editora discográfica dos também confirmados Tau e The Underground Youth. Tendo já partilhado o palco com nomes tão sonantes como A Place To Bury Strangers, advinham-se como um dos nomes a não perder no dia 15.

Alek Rein
Alek Rein, o pseudónimo de Alexandre Rendeiro, já deu mais do que provas da sua competência como artista com o seu EP Gemini e o álbum Mirror Lane. Atrás do seu folk psicadélico há uma missão e um propósito, a que Alexandre consiga encontrar o seu irmão perdido através da música; desejamos-lhe sorte e que o encontre rapidamente, mas que não deixe de fazer música.

The Altered Hours

Se à primeira vista, uma combinação entre Slowdive e Sonic Youth era, no mínimo, uma miragem, os The Altered Hours fazem-na soar bastante real. Relembramos um artigo publicado no início deste ano sobre uma das bandas que certamente vão marcar este ano de 2016.

The Altered Hours: Way of sorrow, para escolher uma identidade

Chicos de Nazca

Os Chicos de Nazca são uma das maiores referências que têm emergido da cena underground em Santiago, no Chile. Dela fazem parte antigos membros das bandas chilenas La Hell Gang, Delta 21, The Holydrug Couple e Föllakzoid. Já com três álbuns na bagagem, são um dos nomes a ter em conta para ver no festival.

Chui Wan

Uma banda de rock psicadélico experimental ‘Made in China’, é assim que os Chui Wan são conhecidos pelo mundo fora. Depois de uma extensa tour pelos Estados Unidos, chegou a vez da Europa e Portugal faz parte do lote dos premiados que vão poder testemunhar um concerto do banda, cuja simbiose de melodias e sons tipicamente psicadélicos, fará certamente as delícias dos amantes do género.

GANSO

A editora discográfica Cuca Monga, que por trás tem os Capitão Fausto a puxar os cordelinhos, tem em GANSO a sua primeira grande aposta na conquista do mercado nacional. Depois de terem sido seleccionados, através da plataforma Tradiio, como a banda a abrir para o passado concerto dos Mutantes em Portugal, não arredaram pé e continuam a lançar música atrás de música; sem nunca perder qualidade.

Gnod

Depois de terem assinalado um dos grandes concertos na edição de 2012 do Milhões de Festa, os Gnod voltam a Portugal para encabeçar o Lisbon Psych Fest. O seu rock psicadélico experimental é possuidor de inúmeros sons e sensações capazes de incutir aqueles que a ouçam num estado de transe. Tendo a ambição de serem cada vez maiores e melhores, com o passar de cada álbum, são actualmente considerados como uma das bandas inglesas mais promissoras da actualidade, motivos mais que suficientes que justifiquem o seu estatuto como cabeça de cartaz do evento.

The Orange Revival

Corria o ano de 2011 quando Black Smoke Rising apanhou tudo e todos de surpresa; subitamente, os The Orange Revival andavam nas bocas do mundo graças à sua sonoridade reminiscente dos anos 60, repleta de órgãos, percussão e guitarras a dar o berro. Futurecent, o novo álbum, tornou os The Orange Revival como um dos nomes a focar não só no movimento psicadélico sueco mas como no Lisbon Psych Fest.

Sun Blossoms

Mac DeMarco e Ariel Pink são os nomes mais sonantes que levam a cabo o renascentismo do slacker pop. Em Portugal, é Alexandre Fernandes e o seu projecto Sun Blossoms que se encarregam de o fazer; a irreverência do seu pop lo-fi origina uma psicadélica única que para além dos seus numerosos elogios, valeu-lhe um concerto no warm-up para a edição passada do Lisbon Psych Fest; este ano, houve “promoção” e é um dos nomes do cartaz.

TAU

Fazendo uma ‘folga’ dos seus dois outros projectos, os Dead Skeletons e os Camera, Shaun ‘Nunitzi’ Mulrooney aventura-se a solo como TAU. Para o auxiliar, conta com o auxílio de membros de variadas bandas como Kadavar, The Soft Moon e Moon Duo, originando uma música sem igual e sem precedentes, difícil de explicar mas muito fácil de se apaixonar por.

The Underground Youth

Talvez a banda mais sonante do cartaz, os The Underground Youth não precisam de grandes apresentações. Sendo uma das maiores referências do género psicadélico no Reino Unido, todos os seus álbuns têm sido aclamados tanto pela crítica como pelo público, devido à atmosfera singular que paira em cada trabalho da banda. Com um estilo que reúne elementos tanto de shoegaze, darkwave e post-punk e uma grande legião de fãs, os The Underground Youth tornam-se no nome mais esperado do festival.

Twin Transitors

Se fosse pedido para associar um animal aos Twin Transitors, a resposta seria um camaleão. Desde a sua formação que a banda portuguesa tem estado num processo de constante inovação para com o seu som devido à rotatividade de membros no projecto mas foi em 2014 que se deixaram ir pela maré do psicadélico, navegando de forma audaz por estes mares, típico de portugueses. Um concerto a não perder.

Cartaz completo:

Dia 15: The Underground Youth, 10 000 Russos, Chicos da Nazca, Chui Wan, Sun Blossoms, GANSO
Dia 16: Gnod, The Altered Hours, The Orange Revival, TAU, Alek Rein, Twin Transitors

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