Foi no passado dia 13 que os Los Waves ficaram encarregues de levar a cabo mais um concerto no âmbito do ciclo CCBeat. A chuva e a ventania que se registaram nessa noite, algo que felizmente não se prolongou durante esta semana, levaram apenas os mais corajosos ao Centro Cultural de Belém, ficando cerca de metade das cadeiras do Pequeno Auditório por preencher. A média afluência de público não afectou a prestação da banda, pelo contrário; permitiu-lhes dar um concerto mais descontraído e despreocupado.

Dez minutos passados da hora, as luzes do CCB apagam-se ao som do clássico “desligue o seu telemóvel e aproveite o concerto” para dar início ao espectáculo. A acompanhar José Tornada, Jorge da Fonseca e Bruno Santos está o americano Mark Young, responsável pela bateria. Recebidos com palmas, Jorge da Fonseca dá as boas e agradece a presença dos espectadores, informando que o concerto daquele noite seria um pouco mais intimista que o habitual. Devido à inexperiência da banda em tocar em auditórios, convida desde cedo a que o público se levante pois “concertos sentados não é nossa cena”.

“Hyperflowers” (música que apareceu num episódio da quinta temporada da versão americana da série Shameless) inicia o concerto. Terminada, Jorge da Fonseca e José Tornada relembram os seus tempos em Londres – ainda como LEAGUE – e como compunham as suas primeiras músicas, “no quarto de um hostel dividido por dezasseis pessoas”, troça José Tornada. Seguiram-se “How Do I Know” e “Turn It Around”, novamente acompanhadas de uma breve introdução sobre como foram criadas. É nesta altura que revelam que a setlist do concerto está ordenada cronologicamente, desde os tempos em que se apresentavam como LEAGUE até aos dias de hoje.

Passada meia dúzia de músicas, a história passa de Londres para o Alentejo, informando sobre como uma simples noite de campismo tornou-se num (suposto) encontro com ovnis; o que levou à criação de “Jupiter Blues”. É a partir daqui que começam a ser tocados grande parte dos temas que constituem This Is Los Waves So What?, o único álbum da banda, o que também marca o ponto em que o público começa a perder a sua timidez e a bater palmas durante músicas. Por esse mesmo motivo, “Darling” tornou-se no primeiro ponto alto do concerto e o mais “carismático”; Jorge Fonseca começa a música a cantar num jeito teatral, divertindo os presentes, e acaba a entoar cânticos de futebol, recebendo em troca a maior salva de palmas que se registou desde o início da noite.

Com o público quase rendido por completo – estava complicada a tarefa de abandonar as cadeiras -, “Got a Feeling”, “Golden Maps”  e “Strange Kind of Love” conseguiram a proeza de retirar o ‘quase’ na frase escrita umas linhas acima. Foi a meio de “Strange Kind of Love” que uns quantos corajosos (finalmente) abandonaram as confortáveis cadeiras do Centro Cultural Belém e começaram a dançar ao ritmo da música, seguindo-se de praticamente todo o auditório. O público era finalmente dos Los Waves mas, infelizmente, tardou muito para tal pois o concerto estava na sua recta final.

Depois dos agradecimentos do costume, intercalado com troça por parte da banda sobre o facto de só agora é que todas as cadeiras estarem desimpedidas de gente, os Los Waves despediram-se do palco durante alguns segundos para regressarem novamente e tocarem “Strange Kind of Love” como a encore, dando como terminada a atuação da banda. Apesar da influência causada pelas condições climatéricas que condicionaram a enchente merecida, os Los Waves assinalaram um caloroso concerto de género ‘best of’ que se destacou pela particularidade da sua setlist, reunindo os temas mais marcantes da curta carreira dos portugueses; a única crítica que se pode fazer é na distribuição das músicas, pois ao apostar no ‘melhor fica para o fim’, demorou muito até que o público se metesse de pé. De qualquer dos modos, todos os risos que ecoaram pelo auditório proporcionados pelo trio durante o intervalo das músicas, reforça a ideia que os Los Waves estiveram entre amigos e que, certamente, abandonaram o palco de coração cheio.

A sala do CCB pela mão dos Los Waves. As imagens de Luís Custódio no link em baixo.

Los Waves @ CCB

Relembremos a entrevista com os Los Waves em pleno Reverence Valada 2015.

Los Waves