Manic Street Preachers - Futurology
70%Overall Score

Os Manic Street Preachers voltam com mais um álbum num espaço inferior a um ano. Parece que a criatividade não largou ainda esta banda de culto galesa. E em oposição ao seu registo anterior, Rewind The Film, que era um álbum mais suave e delicado, Futurology vem carregado de energia e dinâmica, uma espécie de pós-punk pop rock com contornos electro que cativa à primeira audição.

Para os fãs da banda, este trabalho será definitivamente referido como um dos melhores da banda de James Dean Bradfield. Em termos líricos, as questões políticas continuam a soar inconformistas na voz emotiva de Bradfield, como em “Let’s Go To War”, ou na analogia em “Sex, Power, Love and Money”, uma das melhores homenagens a Talking Heads já feita, musicalmente falando. Contam-se também algumas participações especiais, sendo as duas de mais destaque a de Nina Hoss, a actriz alemã, na voz em “Europa Geht Durch Mich”, e a de Green Gartside, o vocalista dos também galeses Scritti Politti, na voz principal em “Between The Clock And The Bed”.

Em termos musicais, como já mencionei, a banda encontra-se num período de criatividade e energia que se transmite ao longo de todas as faixas do álbum. Não há um momento parado ou mais “para encher”, o que nos padrões actuais, em 13 músicas é um feito em si. Até mesmo os temas instrumentais “Dreaming a City” (que roça o electro pop com guitarras à Queen) e “Mayakovsky”, a faixa que encerra o álbum (uma mistura de garage stoner e pop com uma passagem guitar hero lá pelo meio), são cativantes sem se tornarem repetitivas e nem sentimos a falta da voz (digo eu, que normalmente música instrumental não é a minha chávena de chá).

No geral esta é mais uma boa lição de como fazer bom pop, orgânico e diversificado, numa altura em que isso é cada vez mais raro. Destaco “Futurology”, a já mencionada “Sex, Power, Love And Money”, “Black Square” e “Misguided Missile”.