Mark Lanegan - No Bells On Sunday
60%Overall Score

Da mesma forma que se descobre que esta gente não é de cá, porque terra que se preza até tem mais do que um sino a tocar o domingo inteiro, depressa nos apercebemos que este extended play não é para meninos. No entanto, isso não é necessariamente mau, nem bom, é assim diferente. Mais que um single mas menos que um álbum, esta notória falta de sinos ao domingo também carece no seu todo de alguma força. Parece um ensaio para algo que se promete mas que se pode nunca cumprir.

Promessas à parte ouve-se, entranha-se e sim, depois estranha-se. Salve-se o amante triste, não fosse ele ter cara chapada de teledisco no meio de tanto dia de semana, mas sem se perceber se nasceu antes da extensão ou depois da ausência dos sinos para compensar tanto silêncio. Enganem-se aqueles que se fiam na virgem do teledisco e correm pouco antes de mergulhar; são como água e o azeite do atum da lata, um resto da rainha da idade da pedra que nunca nasceu no meio de tantos delírios soalheiros induzidos por falta da luz natural num todo-o-terreno com tracção a todas.

Para se ouvir ao longe num ambiente de conversa sobre as maravilhas da tecnologia dos dias que correm lentos, cinzentos e idênticos. Não serve para quebrar a monotonia dos sinos do dia-a-dia, mas serve para passar quase meia hora sem silêncio. Fora das modas, é certo, mas no tempo certo, no ritmo talvez ideal no dia em que os sinos pararam de tocar ao domingo.

Aconselhado para maiores de dois, quer seja para chegarem ao botão da próxima faixa, quer seja para manter uma conversa minimamente interessante, este No Bells On Sunday vence na nostalgia da voz, na calma dos ritmos e na envolvência dos ambientes, mas perde na música que ainda agora me estava na cabeça ou na magia da interminável chaminé, no gelo seco ou na tal aldeia onde os sinos, coitados, são amordaçados. Não obstante, porém e todavia, crendo e querendo mais que a vida, somos forçados a tomar a atitude que ninguém quer tomar e, portanto, deste modo e por conseguinte, como se diria nalgumas noites deste verão, NEXT.

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