Mark Lanegan há muito que deixou para trás a vida nas imediações das sonoridades de Seattle, descolando-se sempre – e ainda na fase áurea do grunge -, do círculo que o rodeava. Lanegan dirigiu os Screaming Trees para territórios rock mais associados a um certo psicadelismo, apesar de estes fazerem parte daquilo que commumente se entendeu como o grupo de bandas que iriam originar o movimento ao lado dos Mudhoney, Green River ou Soundgarden.

Em 1996, com Dust, Lanegan fecha um ciclo que se misturava desde 1990 com uma caminhada a solo por paisagens mais místicas e despidas e lançava The Winding Sheet, a primeira pedra do que viria a ser um monumento construído por 10 discos densos que o colocaram como monólito da escrita de canções impermeáveis à luz. Um monumento em que o norte-americano colocaria este ano uma gárgula – o novo álbum.

Gargoyle saiu em Abril deste ano pela Heavenly e trouxe o compositor de Ellensburg, Washington, novamente a Portugal, desta vez no papel de artista de suporte de Guns N’Roses, no Passeio Marítimo de Algés. A tour de Lanegan, em nome próprio, passou por terras de Sua Majestade para 14 datas, incluindo a noite de 10 de Dezembro, no The Engines Room, em Southampton.

Estas são as imagens de uma noite onde o foco do alinhamento se dividiu entre o mais recente longa-duração e Bubblegum, de 2004. Mark William Lanegan revisitou ainda a obra de Greg Dulli, com quem divide os The Gutter Twins e membro também dos The Afghan Whigs e dos The Twilight Singers, com uma cover de “Deepest Shade”. O tema dos Twilight tinha já sido gravado anteriormente por Mark para Imitations, disco de covers editado em 2013. A noite terminou com duas covers de Joy Division, “Dead Souls” e “Atmosphere”.

A primeira parte ficou a cargo de Duke Garwood, companhia habitual na estrada e na banda de Lanegan, e de Joe Cardamone, líder dos The Icarus Line, banda de culto do underground de Los Angeles durante as duas últimas décadas.