Mazes - Better Ghosts
70%Overall Score

O single “Skulking”, do aclamado álbum Oals & Minerals de 2013 anunciava uma evolução no som dos britânicos Mazes. Conhecidos por praticarem um indie-rock açucarado e bem torneado, as guitarras ganhavam agora uma dimensão que os afastava da vassalagem a bandas como Pavement e Sebadoh, enquanto alguma da tensão reminiscente das suas óbvias influências krautrock era mantida e aprimorada. Esta nova direção permeava o primeiro lançamento deste quarteto para a editora FatCat, tornando-o alvo de críticas positivas que o apontavam como um dos melhores álbuns de guitarras do ano.

Após um período de apenas oito meses, a banda edita este mini-LP Better Ghosts, um trabalho de rock expansivo e, a tempos, psicadélico. Ao percorrer faixas como “Hayfever Wristband”, “Cicada” ou “Higgs Boson”, deparamo-nos com momentos dignos de uns Neutral Milk Hotel ligados à tomada ou uns The Incredible String Band envoltos em luminosas cornucópias. O revivalismo psicadélico está, de resto, presente em todo o álbum: desde a óbvia “Donovan”, cuja percussão e melodia são pouco menos que viciantes, até à angular “Organ Harvest”.

No entanto, existem outras cartas escondidas nas mangas deste álbum. Sem nenhuma transição óbvia, somos transportados para o planeta Suicide de Alan Vega – se este fosse o dono de um saloon – em Notes Between F&E. Esta magnífica faixa peca apenas por ser de tão curta duração, visto que a caixa de ritmos ligada no modo stun e as guitarras em reverse fazem querer prolongar o momento eternamente. Estas tonalidades electrónicas minimalistas, embora fugazes, regressam em força no interlúdio “Ephemera” e aclaram o rock acidificado e crú de “Sand Grown”, a maior e mais complexa faixa do álbum.

De uma forma geral, este mini-álbum vale não só pela música nele contida, mas também pela promessa do que virá. A evolução dos Mazes tem sido visível e palpável, restando-nos apenas antecipar um grande e eclético terceiro álbum. Pela amostra será uma aposta ganha.