O encontro entre Alex Cameron e a cidade de Las Vegas, epicentro norte-americano do entretenimento e cenário do novo videoclipe para “Candy May”, marca a transição entre as andanças do artista australiano ao redor do mundo para interpretar canções do estrondoso Jumping The Shark e a revelação do seu novo álbum Forced Witness a ser editado em setembro. Não é sobre os palcos, entretanto, que veremos os movimentos do corpo performático de Cameron em sua passagem pela Cidade do Pecado, mas ao chão de estacionamentos, sobre o capot de um automóvel, pelas ruas noturnas iluminadas por neons coloridos ou qualquer outro solo que possa ter abrigado os párias do american dream.

Remontando às baladas de Nick Cave nos anos 80 e 90, com a presença marcante das batidas sintetizadas e a voz melancólica, em tom confessional, características ao som de Cameron, invadimos em “Candy May” as errâncias de um homem solitário, marcante persona dos desiludidos road-movies americanos que o vídeo habilmente resgata para vestir o próprio Cameron. “Candy May, I thing i’m dying”, entoa nos versos de abertura, “cause I’m frail and I’m tired, and I constantly complain about the pain I’m in”. Em narração direta, ele canta a este amor que o arrebata, porém é esmorecido por uma angústia existencial. Nas palavras do doce “Candy May”,

You f’n lonely man
You worthless piece of shit
You all wouldn’t understand.

Com produção de Jonathan Rado, membro dos Foxygen, e participação luxuosa de Julia Holter – que gravou os vocais de fundo para o tema e que formou um dueto com Cameron na faixa “Stranger Kiss”, Forced Witness será lançado pela editora Secretly Canadian no próximo dia 8 de setembro. O alinhamento do disco encontra-se mais abaixo.

Forced Witness
01. Candy May
02. Country Figs
03. Runnin’ Outta Luck
04. Stranger’s Kiss (Duet with Angel Olsen)
05. True Lies
06. Studmuffin96
07. The Chihuahua
08. The Hacienda
09. Marlon Brando
10. Politics Of Love

About The Author

Jornalista residente em Porto Alegre – RS, Brasil. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), editor do portal Cineplayers, fundador da revista eletrônica Multiplot e colaborador eventual de outros espaços. Mantém o blog pessoal Stagefright.me. Iniciando uma nova aventura pelo universo das palavras para retribuir à música por tudo que ela já lhe ofereceu.

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