Quando a chanson française se encontra com o toque de midas de Kevin Parker dos Tame Impala – que tudo consegue transformar em hinos de contornos perfeitamente psicadélicos e dreamy -, e segue um trilho de viagens rodopiantes e caleidoscópicas tingidas com tantas cores quantas aquelas possíveis de nomear, germinam melodias de pertença global mas de chavetas temporais indisputáveis.

Aliando ambiências descaradamente 60s, onduladas por flautas dançantes de chinelo na mão após longas tardes descomprometidas pela ligeireza da bossa nova e desenhadas por fusões de elementos que se insinuam às pistas dos clubes de jazz onde se começavam a fazer experimentações com r&b e algum hip hop – culminando no Doo Bop de Miles Davis reinventado para as massas pela mão do funk e do acid jazz de Jamiroquai -, a varinha de condão da francesa Melody Prochet tece no seu tear de floridas cornucópias sonoras o regresso aos habitats de luz encadeados pelos feixes alaranjados de sol vespestino.

O retorno aos discos de Melody’s Echo Chamber fixa-se nos borrões multicolores que se vão alastrando na dinâmica de orquestrações de “Cross My Heart”, o tema de avanço para Bon Voyage, o álbum que será herdeiro do estreante disco homónimo de 2012, produzido precisamente por Parker, e que ocupará o trono ainda durante esta Primavera. É caso para dizer, apertem os cintos e façam boa viagem.