Mike Doughty é conhecido pelo seu trabalho com a banda Soul Coughing durante os anos 90, uma década negra na vida do artista cuja incursão pelo mundo das drogas quase que acabou da pior maneira. Agora, passados largos anos e após uma mudança drástica na forma de estar na vida, Mike apresenta Stellar Motel, o seu quinto álbum de estúdio a solo. A Tracker Magazine teve o prazer de estar presente na Electric Ballroom em Camden (Londres) na sua digressão pelo Reino Unido e teve a oportunidade de conversar com ele. Lembramos que Mike Doughty vai estar no Rádio Bar no Porto no dia 31 de Dezembro para um concerto único. A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

Em 1996 os Soul Coughing foram a Portugal pela primeira vez e nessa altura eu tinha apenas 1 ano (risos – Mike). 19 anos depois estou aqui a entrevistar-te e é com muito prazer que aqui estou a fazer a minha primeira entrevista de sempre! Em 2009 voltaste a Portugal para uma mini tour com 3 concertos no norte e agora vais voltar novamente ao Porto no dia 31 de Outubro. Tens um gosto especial pelo norte de Portugal ou é algo que simplesmente tem acontecido?

Não sei bem porque nunca toquei em Lisboa, no Porto toquei umas 3 ou 4 vezes. Tenho um amigo que casou com uma rapariga do Porto, fui ao casamento deles e agora vou até ficar em casa deles. Não sei bem a razão de ir sempre parar ao Porto.

Estive a ler no teu site um texto sobre a tua digressão em Abril de 2009, e há uma parte que achei bastante engraçada. Nas duas semanas que passaste em Portugal, quando deram o nome de Bimmy ao vosso motorista (ohh Bimmy – Mike) porque não sabiam como pronunciar o seu nome. Onde foram buscar o nome Bimmy?

O meu violoncelista inventa nomes super estranhos, ele chama-me “Foss”, não sei bem porquê, mas ele inventa sempre estes nomes, por isso começou a chamá-lo “Bimmy”.

Mas soou bem na altura (risos).

Sim (risos).

Lembras-te mais ou menos do seu verdadeiro nome?

Não faço ideia. Ele era um excelente rapaz, super engraçado, gostava muito de death metal.

Eu li que ele estava a passar Jimi Hendrix no rádio.

Estava mesmo, estava mesmo…

Achas que é possível num futuro próximo algum concerto em Lisboa?

Man, eu ia adorar, ia adorar fazê-lo.

Há 2 anos lançaste o álbum Very Best Of Soul Coughing. Como foi pegar no material antigo daquela altura – que foi uma fase dificílima da tua vida – ouvi-la de novo e reviver todas aquelas memórias na tua cabeça?

Sabes, se começares algo como uma música, como uma maneira de tentar lidar com a história, é muito mais fácil. Tento apenas olhar para isso como uma obra de arte e não dar muito significado.

Sentiste que era a altura certa para o fazer? Sentiste que essa fase tinha acabado e que finalmente podias respirar e viver esta nova etapa da tua vida?

Sim, foi isso e depois conheci o Good Goose que produziu o álbum, ele deu-me esta ideia quando o conheci e acabou por acontecer.

O novo álbum Stellar Motel é bastante diferente do anterior Yes And Also Yes, parte disso porque trabalhaste com o Good Goose e podemos identificar uma ligação ao hip-hop moderno, o que resultou num álbum bastante atual. Como sentiste esta mudança e o que isso significou para ti?

Quando eu faço algo, tento trabalhar com o meu colaborador que está sempre à minha frente, tento não me focar nas grandes ideias e no estilo que deve ser, tento pegar no que ele está a escrever e adicionar as minhas ideias e vice-versa, e vamos fazendo algo novo. Acontece que ele vem do hip-hop, é uma pessoa bastante criativa e talentosa, mas foi mais por causa dele do que pelo estilo.

Stellar Motel é o primeiro álbum lançado depois de Very Best Of Soul Coughing. Esta viagem ao passado teve uma influência grande na forma como abordaste este novo álbum?

Teve uma certa influência porque já tinha trabalhado com o Good Goose e desenvolvemos esta excelente relação entre o presente e o passado enquanto artista, e isso foi uma grande influência.

E na forma como o tocas ao vivo, sentes-te mais nervoso ou é o oposto e acabas por sentir que foste ao passado e voltaste a salvo e acabas por te sentir anda mais seguro a tocá-lo?

Sim, acho que sim, estou apenas a tentar ver as músicas e não trazer muita bagagem e se olhares para as coisas dessa forma acaba por ser muito mais fácil e produtivo.

Após este álbum, da tour e da passagem por Portugal, quais são os planos?

Trabalhar num novo álbum com o Good Goose. Tenho estado a trabalhar em opera rock, acredites ou não, tento acordar todos os dias e ter novas ideias e trabalhar nelas.

Que tipo de música te influencia hoje em dia? Tens ouvido algo novo?

Eu oiço tudo, oiço tanta coisa! Tenho ouvido uma banda alemã dos anos setenta, os Can, uma banda de hard rock bastante boa! Adoro José González, Bon Iver. Um rapaz que toca salsa, o Rivera, que adoro! Oiço bastante house music, não te sei dizer nomes concretos, mas se ouvir um DJ sei dizer se é bom. Mas oiço tanta música, bastante mesmo!.

Foi um prazer estar aqui contigo!

Muito obrigado!

Mal posso esperar para ver agora o teu concerto e estou certo que Portugal também está ansioso para te receber brevemente!

Espero que sim! Muito obrigado!