E vão seis, seis edições do festival nascido no sopé da serra de Sintra onde as brumas e as neblinas outonais baptizaram um fest que é mais que um fest. É um momento que se descola da caracterização comum de um festival e corre já várias salas do país transmutando conceitos e colocando ao longo de 15 dias vários nomes mais ou menos alternativos mas sempre de culto um pouco ao alcance de todos. A edição de 2015 oferece nove nomes nacionais e além fronteiriços em seis salas de seis cidades.

Iron & Wine, Dom La Nena, Mayra Andrade, Dead Combo, Rui Masssena, Maria Mendes, Lenine, The Cinematic Orchestra e Mísia surgem através dos nevoeiros de Novembro para encantar quem passar pelos seus concertos. Como não podia deixar de ser todos temos as nossas preferências e estes são os destaques mais caros à discologia da Tracker Magazine.

A Tristeza Americana de Iron & Wine

Sam Beam, é o senhor Iron & Wine, figura de proa da cena folk alternativa, trás na bagagem um disco de covers a par com Ben Bridwell dos Band of Horses e uma carreira invejável e imaculada feita de canções tristes, baladas de planícies solitárias e desoladas e o dom negro e misty (mais apropriado seria difícil) de cantar e contar histórias com uma voz, uma viola e um coração derretido pelas sombras da realidade. Beam  traz um concerto especialmente pensado para o Misty Fest, um íntima e rara apresentação a solo e acústica.

A Gelo Quente da Brasileira Dom La Nena

Do Brasil e de todo o lado vem a doce e suave Dom La Nena. Canta em português, canta em castelhano, já trabalhou com os nossos Danças Ocultas, já colocou o seu violoncelo ao serviço de Jane Birkin, o New Yorker chamou “Sagradas” às suas composições e Marcelo Camelo (Los Hermanos, Banda Do Mar) produziu o mais recente Soyo – que vai ser estreado no Misty Fest – e deixou estas palavras sobre esta doce criatura de uma esfera tropical etérea onde neva e faz um calor especial e mágico em paralelo,

Dom é exemplo raro das contradições que carregamos. Uma menina doce de rosto franco e olhos determinados, que compõe com frescor germinal as canções que ainda queremos ouvir, canções sobre os sentimentos que nos são tão verdadeiros que às vezes escapam despercebidos entre as luzes e presenças de apelo mais cintilante

O Cinema Imenso Dos The Cinematic Orchestra

De ilhas mais a norte regressam os The Cinematic Orchestra, banda de culto em terras nacionais, que passados oito anos de silêncio discográfico se preparam para lançar em breve pela Ninja Tune o seu nono registo. A passagem pelo nosso país está incluída numa longa viagem que atravessa a Europa em 22 datas nas quais se farão acompanhar de um núcleo restrito de amigos escolhidos pelo próprio Jason Swinscoe. Nas três datas portuguesas os The Cinematic Orchestra trazem a companhia de Miguel Atwood-Ferguson, que colabora também no novo trabalho da banda, e Thundercat, ambos lendas vivas da cena de LA com largas colaborações nos discos de Flying Lotus. Disco novo, temas novos, recriações dos antigos e colaborações…. Estão reunidos todos os elementos naturais e electronicamente artificiais para noites perfeitas.

A Suavidade das Ilhas Africanas de Mayra Andrade

Mayra Andrade dispensa tudo que remeta a apresentações. Dispensa tudo menos o silêncio de salas devotas e dispensa tudo menos as palmas das nossas mãos. É de cabo-verde mas também é tão já nossa que quase redefine o calor africano que corre nas ruas de Lisboa em dialectos de amor e cor. Mayra vem com o disco novo, Lovely Difficult ,que já lhe carimbou o passaporte nos aeroportos alemães, suíços, norte-americanos, coreanos, japoneses, turcos e de tantas outras nacionalidades. Mas a nós que somos tanto mais dela como ela é já nossa vem com um espectáculo especial, não só as luzes vão incidir nos temas de Lovely Difficult mas por toda a carreira incluindo os seminais Navega e Storia, Storia. A não deixar escapar este reencontro com os olhos suaves de Mayra e a sua voz das ilhas do sul mas sem fronteiras na alma. Mais uma noite de amor cabo-verdiano.

 

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Além disto temos o encontro de um Gato Pingado e de um Gangster com um violino de leste, uma viola do sul e um violoncelo do norte ou seja a viagem inédita dos Dead Combo com o trio as Cordas da Má Fama, a inocência clássica do jazz de Maria Mendes com a clarinetista americana Anat Cohena e a adaptação de obras de Hermeto Pascoal, Radamés Gnattali e Heitor Villa Lobos ao mundo de ambas, o maestro Rui Massena que troca a batuta pelo piano e a direcção pela criação, o já histórico de terras de Vera Cruz, Lenine, que sobe ao palco com o seu violão para revisitar os temas mais emblemáticos dos 30 anos da sua carreira e a feiticeira do fado sem barreiras que é Mísia e o seu novo Para Amália são também momentos especiais como só o Misty Fest sabe, pode e consegue oferecer.

Datas, salas e horas em baixo.

alec peterson sig

 

 

Iron & Wine
1.11 – Tivoli BBVA – 21:30.
2.11 – Casa da Musica  Sala Suggia – 21:00
Dom La Nena
4.11 – CBP PA – 21:00
Mayra Andrade
4.11 – Coliseu do Porto – 21:00
5.11 – CCB GA – 21:00
7.11 – CAE Figueira da Foz – 21:30
Dead Combo
6.11 – CCB GA – 21:00
Rui Massena
6.11 – Teatro Municipal de Vila do Conde – 21:30
14.11 – Teatro Aveirense – 21:30
Maria Mendes
6.11 – CCP PA – 21:00
7.11 – Casa da Musica  Sala 2 – 22:00
Lenine
7.11 – CCB GA – 21:00
10.11 – Casa da Musica  Sala Suggia – 21:00
Cinematic Orchestra
7.11 – Theatro Circo – 21:30
8.11 – CCB GA – 21:00
9.11 – Casa da Musica  Sala Suggia – 21:00
Mísia
6.11 – Teatro Aveirense – 21:30

14.11 – Cinema São Jorge – 22:00