Seria no mínimo estranho falar de música instrumental sem citar os Mogwai como uma das referências incontornáveis. Desta vez, os escoceses dão a provar um vídeo sombrio para “Party In The Dark”. Craig Murray assina a direção do videoclipe que intercala imagens de substâncias homogéneas que se misturam e formam seres intergalácticos – muito parecidos com seres humanos. Aparentemente, esse é o nascimento destes indivíduos que terão o primeiro contato com o estranho planeta. Murray inspirou-se nos filmes de ficção científica e terror dos anos 80 na elaboração do vídeo. A gravação durou 10 dias e foram utilizadas técnicas de stop motion e time lapse. Em poucos momentos na carreira da banda, os Mogwai entoaram versos cantados nas suas músicas, como acontece neste tema.

A banda resgatou, depois de um longo período esse elemento pouco comum no seu cancioneiro, no novo single. Com a saída do guitarrista John Cummings em 2015, os sintetizadores ganharam destaque nas composições mais recentes do grupo, algo que se aplica a “Party In The Dark” que incorpora vocais robóticos, conduzidos por samples e sintetizadores. A rapidez do baixo e bateria, aliados a letra da música, trazem à tona essa realidade nua e crua do ser humano. É o que somos: um emaranhado orgânico de defeitos, frustrações e indecisões em construção, um constante sentimento de solidão num tecido frágil onde se busca algo que não se sabe muito bem o que é. Apesar da confusão, o motor da vida é o amor. Há todo um romantismo que circunda o vídeo e a música. O refrão vívido convida o ouvinte a fazer essa mesma reflexão:

I, taken from those spirals be both kind
Hungry for another piece of mind
Silent and inpatient without time
Directionless and innocent

As harmonias complexas e crescentes a que estávamos acostumados deram lugar a um som mais reto e repetido. A música, que tem um pouco mais de 4 minutos, quase beira o pop. De qualquer forma, os Mogwai sabem pilotar essa mudança de patamar – do complexo para o simples – , de maneira assertiva. O mesmo não pode ser dito da sensível “Coolverine”, um temo que representa os Mogwai na sua melhor forma. O primeiro single do álbum foi divulgado em junho e recebeu um vídeo com uma roupagem sobrenatural.

Depois do último Rave Tapes de 2014, o foco da banda voltou-se para a produção de trilhas sonoras. Uma delas rendeu o álbum Atomic (2015, Rock Action) para o documentário da BBC Atomic: Living in Dread and Promise (2015). Dirigido por Mark Cousins, o documentário fala a respeito de energia nuclear – as tragédias e os benefícios que ela gerou. Outro documentário que os Mogwai assinaram a trilha sonora, Before The Flood (2016), foi dirigido por Fischer Stevens e protagonizado por ninguém menos que Leonardo Dicaprio, porta-voz dos dilemas que a mudança climática provocou (e ainda provoca) no planeta, em que questiona e propõe mudanças a figuras públicas e políticos de seu país.

Desde o final da década de 90, o grupo de Glasgow tem-se mostrado incansável na composição de uma discografia sólida. Os Mogwai fogem de fórmulas prontas e empregam conceitos paradoxais de um álbum para o outro. Nunca se sabe o que esperar de um disco ou uma canção dos Mogwai. A única certeza, é que eles mergulham sem medo e de cabeça no rio da experimentação.  “Party In The Dark” está presente em Every Country’s Sun, que tem lançamento marcado para 1º de setembro pela Rock Action, Temporary Residence e Spunk Records.